Grandes ídolos do SPFC, por Carlos Port: os argentinos no Tricolor

Olá nação tricolor!

A torcida jovem do SPFC, incluindo os de meia idade, se acostumou a ter no futebol uruguaio, uma referência de identidade.

Técnica, raça, comprometimento e tradição. Assim foi desde a era Morumbi, com Pedro Rocha, Pablo Fórlan, Dario Pereyra e Diego Lugano, os maiores expoentes.

Porém, antes da era da televisão e do estádio, quem fez história no São Paulo foram eles, os argentinos. Sim, aqueles que adoramos chamar de rivais, construíram de forma fantástica, grandes feitos no Tricolor, nos anos 40 e 50. Vamos a eles:

Poy

Poy

Um dos maiores goleiros da história, fez sua carreira no SPFC como treinador depois. José Poy nasceu em 16 de abril de 1926 e faleceu em 08 de fevereiro de 1996. Seu caminho portenho ao Tricolor teve raiz no Rosário Central.

Já constando no elenco bicampeão de 1949, foi nos anos 50 que o argentino tomou conta da posição. Em 1953, já era o dono da camisa negra que salva-guardava o gol são-paulino. Assim levantou taça também em 1957, na histórica partida decisiva das garrafadas contra o Corinthians, no Pacaembu.

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Poy não se satisfez somente em defender o SPFC nas 4 linhas. Diante do desafio imenso da construção do Morumbi, se tornou um dos protagonistas, vendendo cadeiras cativas do estádio pessoalmente. Segundo consta, conseguiu mais de 8.000 lugares. Um feito extraordinário de devoção.

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Jogou até 1962, 522 jogos, quando então se tornou técnico, entre idas e vindas no Morumbi, venceu o título de 1975, comandando o São Paulo.

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Renganeschi

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Seguimos na defesa, agora com Renganeschi. Chegou no Tricolor em 1944, mas já estava no Brasil, chegou a defender o Fluminense. O chamado zagueirão, Armando Federico Renganeschi nasceu em 10 de maio de 1913 e faleceu em 12 de outubro de 1983.

Sua história eternizada no Tricolor se fez em 1946. No título tricolor daquele ano, o São Paulo tinha o Corinthians como concorrente, rodada a rodada, na modalidade de pontos corridos. Chegou um Choque-Rei para o Tricolor, diante de uma SEP que não postulava a taça naquele ano. Se o jogo empatasse, haveria uma partida-extra, para a decisão. “Renga” se contundiu no clássico, mas não eram permitidas substituições naquela época. Então, permaneceu, encostado do lado do campo. O sacrifício foi premiado com glória. Faltando 8 minutos, avançou à área e mesmo mancando, recebeu um rebote do goleiro alvi-verde e decidiu o confronto. Único gol de Renganeschi nos seus 107 jogos no São Paulo, gol de campeão.

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Depois de parar, assim como Poy, também treinou o Tricolor, nos anos de 1958 e 1959.

Albella 

Gustavo Albella nasceu em 22/08/1925, faleceu em 13 de junho de 2000. Chegou ao São Paulo na “bagagem” de outro argentino, Moreno, no ano de 1952. Mas foi quem se tornou o protagonista. Inicialmente atacante, foi como armador, ao lado de Gino Orlando, que fez história, no título paulista de 1953. Seu apelido “el atômico”.

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No total, foram 80 jogos pelo São Paulo, com 46 gols marcados.

Sastre

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Antonio Sastre nasceu antes das duas grandes guerras mundiais, é de 27 de abril de 1911, falecido em 27 de novembro de 1987. No Tricolor, chegou veterano, aos 32 anos, mas ainda com força e talento suficientes para se tornar lenda.

Sastre, quando desembarcou no Brasil, desestabilizou a divisão de forças em São Paulo, repartidas até então entre os rivais alvi-negros e alvi-verdes. Capitão da Argentina e com brilho no Independiente, impôs seu imenso talento no Tricolor, derrubando a tese que cara era Corinthians, coroa era Palestra Itália, ou vice-versa, nos títulos paulistas.

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No ano de sua estreia, já mostrou do que seria capaz, quando fez 6 gols em uma mesma partida, nos 9 a 0 que o São Paulo aplicou na Portuguesa Santista.

Foi o grande maestro nos títulos de 1943, 1945 e 1946, o período da Moeda em Pé. Ao todo, 128 jogos e 56 gols.

Tivemos ainda o argentino Ponce de Leon, atacante de grande qualidade técnica e oportunismo, que defendeu o Tricolor ao lado do compatriota Poy. Está entre os 10 melhores atletas em termos de desempenho no Campeonato Paulista, com 45 jogos e 34 vitórias, incríveis 80%. (fonte site oficial do São Paulo FC).

Negri e Moreno, igualmente, campeões em 1953. Beraza foi campeão em 1957.

Ao todo, são 25 jogadores argentinos que o SPFC já contratou, até o ano de 2016. Chavez, Calleri, Centurion, Buffarini, Sastre, Runtzer, Renganeschi, Prospitti, Poy, Ponzonibio, Negri, Moreno, Martino, Juarez, Gonzalez, Di Loreto, Cañete Clemente Rodriguez, Castagno, Bóvio, Bonelli, Beraza, Amelli, Albella e Adrian Gonzalez.

Argentina e São Paulo FC, muito mais próximos na história do Tricolor, do que se imagina. O azul celeste é mesmo parte integrante do vermelho, branco e preto.

Saudações Tricolores!

Crédito-Imagens: Revista Gazeta Esportiva Ilustrada, blog Tardes de Pacaembu, revista Placar, site oficial do São Paulo FC, Folha da Manhã (acervo Folha).

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