Opinião Tricolor: A pior crise de identidade da história do São Paulo FC

escudo

Salve nação tricolor.

O São Paulo está salvo do rebaixamento, no Campeonato Brasileiro 2017.

Repetiu o “sucesso” da missão de salvamento, tal qual em 2013 e 2016.

Muitos batem no peito e dizem, com orgulho, “time grande não cai”.

Sim, é um orgulho.

Mas não pode ser mais, uma razão.

O Tricolor paulista vive a sua pior crise de identidade, em seus 87 anos de existência e glórias.

“As tuas glórias, vem do passado”.

Porém, o presente, principalmente, o futuro, são chagas no São Paulo.

A perpetuação do poder, com o mesmo grupo político comandando o clube, já supera 1 década e meia. 15 anos dos mesmos, ditando os caminhos são-paulinos. Sim, é necessário o reconhecimento da ascensão e ápice, que alguns desses personagens tiveram, ao longo de todo esse tempo. O retorno à Libertadores após 10 anos, a conquista do Tri da América e do Mundo, o Tri-Hexa nacional, fantásticos.

Porém, é fundamental ter a consciência do declínio e da tragédia que se tornou, a manutenção do “establishment”  tricolor. Desde 2009, 35 campeonatos disputados, 34 perdidos, sem sequer, disputar uma final. Apenas a Sulamericana 2012, intermediária taça do continente, quebrou esse círculo vicioso de fracassos, como nunca outrora vistos, no Morumbi.

Ao mesmo tempo, a pior sequência de resultados em clássicos, nos retrospectos. Jamais o aproveitamento diante dos 3 grandes do estado, foi tão ruim, como a partir do último Brasileirão, conquistado em 2008.

Mata-matas, então, trágicos. 7 eliminações em Libertadores, para rivais nacionais, na era do juvenalismo e dos seus herdeiros do trono, atuais. Desclassificações para times de séries B, C, até D, do país, em certames estaduais, Copas do Brasil e disputas sudacas. Até vergonha de perda de vaga, para time “obrero” (de bairro) argentino, ocorreu.

O ocaso de Juvenal Juvêncio, os últimos anos de poder, foram lastimáveis, péssimos; o retorno de Carlos Miguel Aidar foi traumático e escandaloso; até o sonho de Leco, ser presidente do São Paulo, ocorrer. O ponto “máximo” do fundo do poço.

Ou será que é possível afundar ainda mais?

Não se pode afastar essa possibilidade, visto que o São Paulo tem errado em tudo.

Parou no tempo, na questão vanguarda administrativa. Reformulou estatuto, mas segue com as mesmas práticas paternalistas e eleitoreiras. O cargo pelo voto. A notoriedade de conhecimento, exigida no papel, não existe em áreas vitais de receita para o clube, que é uma nação. Se fosse um país europeu, o São Paulo teria a décima primeira população. Gigante. Mas tratado feito clube social de bairro.

Um descalabro. Pequeno poder, benesses, favores, aparelhados de mídia, alinhamentos por blindagem. Um microcosmos do Brasil dos conchavos.

Como se Lula fosse JJ (aliás, era petista fervoroso), Aidar a Dilma que foi deposto(a) e Leco, seria o Temer que todos odeiam, a não ser os que dele tem algum acolhimento vantajoso politicamente. Já o Conselho do SPFC, deplorável, tal e qual o Congresso Nacional. Salvo brilhantes exceções.

A bancarrota de conquistas não foi por acaso. O São Paulo se permitiu diminuir.

O mais entristecedor, é que já existe uma geração inteira, de jovens, que dominam os estádios e as redes sociais, que não conheceram o São Paulo vencedor e pensam que o Tricolor é isso.

Não é, juventude! Não permita que o “sistema” te faça acreditar que só sobreviver em competições, que só chegar em semifinais, é o São Paulo. Nunca fomos só isso! Os incompetentes perpetuados que mandam no Tricolor, é que tornaram nosso time do coração, nisso. O time que não vence clássicos em arenas novas rivais, que se contenta em não cair, com o discurso eterno de “caminho certo” e “reconstrução”.

Ciranda sem fim de treinadores, elencos montados e desfeitos, a cada temporada.

Ídolos pisoteados por quem jamais teria esse direito.

Muricy e Rogério Ceni, exemplos de um deprimente tratamento, daquele que é o atual mandatário tricolor.

Mentem para você, iludem, transferem responsabilidades, desconstroem imagens de todos aqueles que enfrentam o status quo. O tempo todo, vendem um mundo de fantasia e enganação, nas redações, blogs, sites e populares de internet, absorvidos pela máquina.

O SPFC é o clube mais vencedor do Brasil! O que tem mais pontos na era dos pontos corridos do Brasileiro, o que venceu mais vezes sem asteriscos, o título de campeão nacional. O maior campeão do mundo, o mais vencedor da Libertadores, em terras brasileiras.

Mas está perdido, sem rumo, entregue, nos últimos anos. Uma deriva oceânica.

O mais doído, alguns compactuam com todo demérito, em troca de benefícios pessoais.

Salvo os resistentes, que permanecem no bom combate. Milhares/milhões, que bradam pela renúncia desse estado pútrido de coisas.

Ações propositivas, como o voto do Sócio Torcedor, a profissionalização, o fim do coronelismo, o choque de gestão, tudo por um São Paulo que recupere a própria estima e personalidade.

Um salve, para aqueles que sabem o tamanho da grandeza tricolor e não desistirão de lutar, contra o mal que fazem ao time que já foi o símbolo, do destemor paulista.

A Resistência Tricolor seguirá.

Venha conosco.

Saudações Tricolores!

 

Carlos Port

Opinião Tricolor