Editoral Opinião Tricolor: Leco eleito. Boa sorte, mas já dizia Magno Malta…

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Salve nação tricolor.

Em noite de pleito apertado (considerando votos válidos, 123 a 102 (54% a 46%), a situação se manteve no poder no São Paulo.

Leco está eleito e desejamos toda boa sorte em seu novo mandato. É dever de todo são-paulino que só pensa no bem do clube e do time.

O voto dos conselheiros (daqueles que pensaram somente no SPFC e não em suas benesses pessoais) é democrático no regimento tricolor e deve ser respeitado.

Quanto a Pimenta, saiu ovacionado da votação, aplausos maiores a ele do que ao próprio vencedor. Algo muito indicativo se viu ali. A oposição do SPFC, enfim, renasceu.

Mais do que isso, terá mais força com os Conselhos de Administração e Fiscal, órgãos internos que terão muito mais poder que antes. Com o Novo Estatuto, devidamente aplicado (é o que todo são-paulino deve cobrar). Auditoriais anuais independentes estão previstas, contratos passarão pelo crivo desses conselhos. O regime segue presidencialista, mas o paternalismo tem tudo pra diminuir.

No mais, o São Paulo reelegeu não só Leco, mas a perpetuação do poder que ele representa. São os mesmos que comandam o SPFC desde os mandatos de Juvenal Juvêncio (e até antes, com Marcelo Portugal Gouvêa). Estes dois últimos, tiveram ascensão, glórias e declínio. Saudosos, não estão mais entre nós. Mas deixaram seus discípulos, que comandam o Tricolor.

O aparelhamento e a máquina que possuem na mão foram determinantes. Não existe outra explicação. Afinal, é incoerente dar vitória àqueles que estiveram sempre presentes nas administrações a partir de 2009 (salvo raras caras novas), fase que começou o ocaso da era JJ. Já são 34 campeonatos desde então, com 33 eliminações antes da final e apenas 1 decisão. Foram perdidos 8 Brasileiros, 9 Paulistas, 5 Libertadores, 1 Recopa, 6 Copas do Brasil e 4 Sulamericanas. Um time do tamanho do São Paulo jamais poderia passar por isso. São marcas vexatórias demais. Sem contar o histórico de polêmicas do eleito, desde 2002…

Mas, são águas passadas e pro bem do São Paulo, deve-se virar a página.

Porém…

Quando Dilma venceu as últimas eleições, em parecidos 54 milhões de votos a 51, Aécio Neves foi recebido de volta ao Senado (não se trata de defender o tucano, muito menos a petista).

Na oportunidade, Magno Malta, senador brasileiro de discursos brilhantes, fez menção ao retorno do tucano derrotado, com uma oratória digna de aplaudir de pé.

Dizia Magno que a melhor coisa que poderia ter acontecido para ele, Aécio, seria não vencer. Que a derrota com grande votação (que demonstrara que o povo estava cansado e esgotado do PT) foi um “livramento”. Pois o PT destruíra o país e seria injusto Aécio pagar a conta (assim como Temer paga agora).

Fato dos fatos: o São Paulo, do ex-petista JJ que, assim como Lula no país, foi o pai deste governismo tricolor, é o microcosmos do Brasil.

Leco merece ter o seu mandato completo, portanto. Para não dizerem que foi apenas, presidente tampão, apesar de estar a quase 20 meses no poder.

Neste período, muita bravata e pouco resultado. Disseram que a dívida do São Paulo diminuiu quando, comprovadamente, aumentou (leitura obrigatória de blogs como do PVC, Olhar Crônico Esportivo e Época Esporte Clube). Os patrocínios, que forraram a camisa, minguaram em valores. O master saiu e deu lugar, de forma surreal, a marca que paga valor menor na manga. Outra marca que anunciava no calção, sequer pagou. Com isso, a camisa só perdeu valor no mercado. Fora que ficou horrível, esteticamente. O manto tricolor não pode ser vilipendiado.

Os resultados com Leco, pavorosos: assim que assumiu, ainda em 2015, levou 6 a 1 em Itaquera e foi eliminado (mais uma vez) pelo Santos, na Copa do Brasil, seguindo a triste trajetória deste grupo político dominante no SPFC. A situação ainda caiu com o time praiano no Brasileiro 2002 (quando Leco era o diretor de futebol), nos Paulistas de 2010 e 2011 (quando Leco foi o VP de futebol). Jogos terríveis na nova casa palmeirense, durante todo período de Aidar e Leco, na presidência. O pior: eliminações para times de divisões nacionais série D (Paulista 2016) e série C (Copa do Brasil 2016). Por fim, a campanha que assustou a nação tricolor, no Brasileirão passado, com muitas rodadas à beira do rebaixamento. Único período positivo: a Libertadores 2016, onde o SPFC chegou as semifinais (mesmo com 5 derrotas ao todo). Mas foi a fase que o time andou após Leco afastar Ataíde e Gustavo do futebol e trazer Luis Cunha. Este, não suportou o poder paralelo que se mantinha ao seu planejamento e não resistiu, de forma justa, pela quebra de hierarquia. O time voltou ao comando anterior, não se reforçou como deveria na parada da competição e a desclassificação ocorreu, diante do Atlético Nacional.

Em 2017, Ceni, Pratto e Jucilei, foram acertos diretivos, sem dúvida alguma. Mas falta muito para o São Paulo ser visto como time respeitado, novamente. Contratações ruins novamente superaram as boas, em quantidade. Na semana da eleição, o time sofre para reverter dois resultados deploráveis no Morumbi, diante de uma média de 45 mil são-paulinos, por partida, nos mata-matas de Copa do Brasil e Paulista.

Com tudo isso e mais um pouco, é Leco e seus felizes diretores e conselheiros, que precisam ter essa “reconstrução” que tanto dizem. Nenhum outro deveria ter essa responsabilidade.

Não existem mais as desculpas do passado, ao melhor estilo petista de dizer que a culpa era de FHC. Agora são anos de sua governança e a responsabilidade é integral desta diretoria.

A grande ironia: Leco só se tornou presidente interino, provisoriamente eleito e finalmente eleito para um mandato completo, porque a situação de JJ e Carlos Miguel Aidar, o indicaram no pleito 2014, para a presidência do Conselho Deliberativo. Com isso, adquiriu estatutariamente o direito de presidir o clube e convocar eleições, quando da renúncia do período trágico de Aidar.

Hora então, presidente Leco, de provar que era merecedor de tudo isso que está acontecendo em sua vida.

Com o apoio incondicional ao time nos 90 minutos de cada jogo e cobrança sobre tudo aquilo que o São Paulo FC precisa evoluir, sobretudo, com o novo estatuto.

O futuro breve dirá.

Saudações Tricolores!

 

Carlos Port

Opinião Tricolor

No Twitter: @carlosport