Editorial Opinião Tricolor: somos todos Pimenta

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Salve nação tricolor!

18/04/2017, o dia mais importante na história do São Paulo FC, para os próximos 3 anos e, talvez, para muito mais do que isso.

Vença quem vencer, o Opinião Tricolor seguirá com sua linha editorial independente: aplaudir e enaltecer o acerto, fiscalizar e cobrar o erro.

Mas definimos um candidato.

A instituição que tanto amamos tem a chance, a primeira oportunidade real e verdadeira, de quebrar a dinastia JJ da perpetuação do poder, que teve o seu início, meio e fim.

Vivemos este fim em cada dia no presente, com 33 campeonatos disputados desde o Tri-Hexa em 2008, para apenas, uma final, da Sulamericana 2012.

São-paulino, reflita: 33 competições para apenas 1 decisão. Isso não é reconstrução de nada, nunca foi e nunca será caminho certo. Em 2017, o encaminhamento de duas desclassificações em 4 dias, diante de 90 mil são-paulinos.

Nunca, em 87 anos de história, nem na construção do Morumbi, ocorreu uma escassez de decisões como essa.

Toda perpetuação é ruim, nociva. Em qualquer segmento da sociedade. Governos se tornam ditaduras, clubes de futebol também. O aparelhamento da opinião, o sufocamento dos contrários, independentemente, do sofrimento popular.

Não que foram apenas deméritos, destes que comandam o nosso amado Tricolor Paulista, os mesmos desde os últimos 15 anos.

Sim, porque salvo raras caras novas, desde o saudoso dr. Marcelo Portugal Gouvêa, é a mesma cúpula de poder. Personagens que tiveram a sua ascensão, ápice (Libertadores e Mundial 2005, Brasileiros 2006 a 2008) e declínio catastrófico.

Ocorre que Leco, o candidato do modelo vigente, sempre foi um perdedor, neste cenário. Não viveu o ápice no futebol, pelo contrário, precisou sair da diretoria de futebol, onde foi diretor nos dois primeiros anos de MPG, para o SPFC engrenar com Juvenal em seu lugar. No período que esteve à frente do futebol, já começou com polêmica. Nelsinho Baptista era o técnico que estava à frente da equipe, disputando mata-matas contra rival. Eis que o diretor disse que preferia outro, causando turbulência nas decisões. Foram tempos de humilhações em 2002 e 2003, com personagens perdedores como Oswaldinho de Oliveira no comando técnico, zagas medíocres, times desequilibrados que queimaram o nosso maior atleta formado no Tricolor, Kaka. Perdas do Rio-SP e Copa do Brasil 2002 e Paulista 2003, para o Corinthians. Chacota.

Demitido então por MPG, mas deixando o ônus do clube ter carregado a história da contratação de Jorginho Paulista, que rendeu prejuízo milionário que precisou ser pago só em 2015, após todas instâncias darem ganho de causa contra o SPFC, Leco retornaria ao cargo de Vice Presidente de Futebol, conduzido por JJ, em 2008. A partir de então, novos percalços no futebol tricolor. O tabu construído contra o rival SCCP (maior da história, 14 jogos) foi perdido e invertido, 11 jogos sem vencer. Entre 2009 até 2011 (quando da destituição do cargo), nenhuma decisão, a provocação sem sentido diante de Ronaldo Fenômeno em 2009, vexames e desclassificações.

No pleito 2014, Juvenal Juvêncio havia escolhido Carlos Miguel Aidar para candidato à presidência e a situação, então, indicou Leco para concorrer à presidência do Conselho Deliberativo. Ou seja, se Leco é presidente do São Paulo atualmente, foi devido à indicação de JJ/CMA. Após escândalo que culminou na renúncia de Aidar em 2015, Leco estatutariamente assumiu a presidência de forma provisória e depois eleito para um complemento de mandato, com oposição apenas simbólica.

Em 2016, os resultados de Leco: Uma semi de Libertadores como sua melhor marca, mas com a perda de Luiz Cunha antes do confrontos, o diretor que arrumara o vestiário. Eliminação no Campeonato Paulista para time da Série D nacional, desclassificação da Copa do Brasil diante de time da Série C do país e campanha do Brasileirão com rodadas e rodadas, beirando o rebaixamento. Bancou Ricardo Gomes, que não tinha condições de treinar o SPFC, dizendo “não sou de fazer o fácil”, com o time caindo pela tabela. Só após as demissões de dirigentes que a torcida não queria mais no comando, o time conseguiu alguma reação, com a força da torcida nas arquibancadas, repetindo 2013, para não cair. Terminou em um melancólico décimo lugar.

2017. Na semana da eleição, encaminhou o SPFC para duas desclassificações. Ainda podem ser revertidas pois é a camisa do Tricolor, mas o são-paulino sabe o quanto será missão quase impossível.

Do outro lado, está Pimenta.

Adversário histórico do grupo de Leco, desde 1988, quando foi da oposição contra Juvenal Juvêncio e perdeu. Em 1990, venceu eleição e o São Paulo passou a conviver com o período mais vencedor de sua história.

Pimenta herdou de JJ, o time em condições precárias. Na oportunidade, assumiu na 19ª rodada de 23, não havia mais o que poderia ser feito. O SPFC terminou em 15º lugar, em 24 clubes, aquele campeonato.

O primeiro ato de Pimenta. Contratar Telê Santana. Uma relação de confiança, sucesso e gratidão, de lado a lado. Mestre Telê, eterno nos corações tricolores, vinha da fama de pé-frio, pelas Copas de 1982 e 1986. A aposta foi no talento, na genialidade. Telê, no São Paulo, encontrou o caminho do topo do mundo, que não conseguira na Seleção Brasileira. Não foi fácil, ocorreram momentos de crise mas, nunca, Pimenta cogitou perdê-lo.

Após dois anos de vice-campeonatos brasileiros, enfim, o título brasileiro de 1991. Emblemático porque representou o reerguimento. Que não parou mais.

Títulos paulistas de 1991 e 1992, Libertadores 1992 e 1993, Mundiais 1992 e 1993, Recopas 1993 e 1994, Supercopa 1993. Grande torneios conquistados na Espanha, Tereza Herrera e Ramon de Carranza, goleando Barcelona e Real Madrid.

Um tempo épico.

Gerou muita inveja no poder tricolor, é fato. Foi acusado de pedir comissão indevida. Provou inocência em laudo técnico do maior institucional pericial do país, que mostrou gravação forjada. De expulso, a reconduzido ao Conselho.

Um currículo de 23 títulos, ao todo.

São estes os candidatos. Esses os históricos. É este o confronto. Acima deles, a perpetuação do poder diante da salutar e necessária alternância de poder.

Que os conselheiros são-paulinos, responsáveis pelo futuro tricolor, possam refletir e colocar a instituição, acima de qualquer interesse particular e de benesse pessoal.

Pelo bem do nosso grande amor, São Paulo FC.

Saudações Tricolores!