Carta aberta: Gustavo Vieira de Oliveira

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São Paulo, agosto de 2016.

Olá Gustavo, permita-me chamá-lo de “você”. Somos quase contemporâneos.

Aliás, um dos seus bons atributos é a juventude, cabeça moderna, em um modelo arcaico de administração, como é o do São Paulo.

Em maio desta temporada, fiz aqui no Opinião Tricolor uma singela análise da atuação em seu cargo executivo no São Paulo, ao longo dos anos, não sei se já leu:http://opiniaotricolor.com.br/?p=2233~

Mas, como sei que as colunas do Opinião refletem no clube, entre conselheiros, diretores e torcedores, resolvi novamente escrever sobre você.

Desta vez, de forma franca, a mais transparente possível, através de uma carta aberta.

Para pedir que se demita.

Em tom de respeito.

Falo sempre aos meus seguidores nas redes sociais: critique com contundência, mas não ofenda, não acuse sem provas, não perca a razão.

Te critico, Gustavo. Bastante.

Porém, sempre respeitei seu currículo, sua boa formação, sua educação.

Cobro do presidente Leco, por exemplo, se os 3% existem ou não, pois em entrevista ao jornal Lance, datado de 29/12/2015, ele admitia, após você ter desmentido: http://www.lance.com.br/sao-paulo/leco-confirma-que-executivo-ganhara-bonus-vendas-atletas.html. Nesta temporada 2016, alguns setoristas do clube que sempre são flores para a diretoria, negam. Mas, perdão, falta o presidente ou você mesmo, declararem que a idéia da bonificação foi abolida definitivamente.

Mais razões, para pedir a sua saída, não faltam:

Em cargo remunerado no futebol, com poderes reconhecidos, você fracassou desde o segundo semestre de 2013, quando assumiu. Bem verdade, em ano de crise (o que não é novidade para você). O São Paulo recuperou-se no Brasileirão daquele ano, pela união torcida e Muricy. Time salvo no campeonato nacional, mas eliminado de forma patética na Sul-Americana, diante da Ponte Preta, que cairia naquele Brasileirão.

2014 foi ano de sucessão no São Paulo. Você seguiu no cargo, na troca de presidentes. Era da situação, que venceu. Mas todos sabemos que “a situação” piorou no relacionamento que tinha com o saudoso, carismático e contestado Juvenal Juvêncio, em relação a Carlos Miguel Aidar. Apesar de todo seu bom entrosamento com Ataíde Gil Guerreiro (que merecia uma carta aberta como essa). Do um ano e meio que Aidar permaneceu no cargo, até sua renúncia, em um ano e um mês vocês trilharam juntos. Desclassificações desastrosas para Penapolense (série D) e Bragantino (série B) foram anexadas em seu currículo como dirigente.

Em 2015, o Tricolor entrou na pior ebulição política deste século. Guerra política que culminou na sua demissão, como já citada acima. Por pouco tempo, é fato. Leco assumiu a presidência e reconduziu Ataíde com você, para a diretoria do clube. Decisões, finais? Nem pensar. Um final de ano amargando 6 a 1 para o rival que seu pai marcou história, após mais uma eliminação de Copa do Brasil, somada ao fracasso de Libertadores e Paulistão.

Vivemos 2016. Dizem que foi ano de reconstrução. Perdão, Gustavo. De obra nunca pronta. Diz a sua pequena minoria de apoiadores que o São Paulo foi semifinalista de Libertadores. Com 5 derrotas, nunca perdemos tanto numa edição. No momento crucial, a ausência de reforços. Antes disso, outra eliminação deplorável, diante do Audax (novamente, série D). O time fez greve de silêncio, segue perdendo clássicos, não tem mais chance no Brasileirão e corre riscos de rebaixamento. A Copa do Brasil, vista como tábua de salvação, já está na berlinda, após derrota para o Juventude (série C), em pleno Morumbi.

Não citarei seu rol de contratações, apenas ressalto que as ruins superaram as boas.

Três temporadas e meia, Gustavo, caminhando para a quarta. Sem um título, que justificasse seu excelente salário. Nenhuma final. Não acha que já foi o bastante?

Milhões de torcedores acham. Melhor, eles tem certeza.

Em tempo, profissional qualificado tem que ganhar bem mesmo, Gustavo, mas precisa mostrar resultados. No São Paulo, eles não vieram. Pelo contrário, o clube coleciona vexames que demorará pra esquecer. Você faz parte deles.

Por tudo isso, peça demissão do São Paulo, como são-paulino que é. Será ato de são-paulinidade.

Muitos afirmam que você torce para o Corinthians, por seu pai ser, talvez, o maior ídolo do clube. Eu não acredito. Creio na versão do encantamento que você teve com seu tio Raí, que conduzia como rei, aquele São Paulo extremamente vencedor.

Mas seu pai, Gustavo, era defensor nato da democracia. Até criou um movimento no rival da então marginal s/n, nos anos 80. Inclusive, nos venceu em finais, por dois anos consecutivos, naqueles tempos.

Só que na democracia tricolor, a grande maioria da torcida, quer você fora do São Paulo. Sendo justo, junto de outros tantos.

Não é pra menos. Com você, 14 campeonatos disputados e perdidos. Nenhuma final. 14 clássicos perdidos, tomando mais de 40 gols. Ao todo, 29, para apenas 8 vitórias com elencos que construiu.

Números de quem não merece estar no futebol de uma nação que tem mais de 18 milhões de torcedores, que se orgulham de 3 Mundiais, 3 Libertadores, 6 Brasileiros e de ser sempre, time de chegada. Tradição que seu trabalho vem jogando fora.

Assimile assim, os pilares democráticos que são seus ensinamentos de sangue. O são-paulino quer mudanças, dentre elas, a sua imediata saída.

Inclusive, em abaixo-assinado, que cresce a todo instante: https://secure.avaaz.org/po/petition/Presidencia_do_Sao_Paulo_Futebol_Clube_Demissao_imediata_de_Ataide_e_Gustavo_Viera_do_SPFC/?cOuuYkb~

A essa altura, não se trata nem mais de querer, é de precisar.

Pelo bem do Tricolor e de sua história.

Entregue seu cargo.

Será digno de sua parte.

Saudações Tricolores.

Carlos Port – Opinião Tricolor