Festa Independente 44 anos: reflexão para a sociedade

Salve nação tricolor!

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Gostaria de deixar público o meu agradecimento à diretoria da Torcida Independente, pelo convite de honra oferecido, em sua festa de 44 anos.

44 anos dos quais participei 7, na chamada velha guarda dos anos 80 e início dos 90.

Falando justamente dos mais antigos, até os mais jovens, faço aqui um resgate histórico.

1970c

A Independente foi fundada em 1972, período da ditadura militar. Época de disciplina na ordem pública. A coisa funcionava assim: bandido tinha medo de polícia, aluno tinha temor de professor, filho tinha respeito por pai e mãe. Hoje em dia…

Porém, o país clamava por democracia e, graças a Deus, alcançou com o povo nas ruas, pedindo Diretas Já e conquistando sua liberdade de escolha cidadã, na segunda metade dos anos 80.

Qual o sentido deste resgate?

1981

Na época em que o Brasil mais enfrentava rigidez nas instituições de segurança, a festa era permitida totalmente na arquibancada. Bandeiras, fumaça, fogos de artifício, bateria, chuva de papel. O futebol era maravilhoso.

Porém, com a democracia conquistada, tudo que o povo teve de vitória na liberdade de expressão, perdeu inexplicavelmente nos estádios, a partir de 1995. Uma contramão histórica.

Óbvio que a violência nos estádios, presente no mundo todo e em escalada histórica no país do futebol ao longo das décadas, precisava e ainda necessita, ser combatida implacavelmente.

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Mas não pela generalização e rótulos de entidades civilmente legais, taxadas como criminosas em sua totalidade.

O governo, seus entes públicos, como Secretaria de Segurança e Ministério Público, os congressistas brasileiros (muitos deles envolvidos em crimes também), precisam agir como representantes do povo, em todos os seus segmentos. Como fariam isso com as torcidas organizadas e seus milhões de adeptos (considerando todos os times)?

Através da criminalização devida do agente, individualizada, contundente, eficaz. Torcedor foi flagrado praticando qualquer tipo de conduta ilícita, é pra responder processo, pagar fiança. Se a ação for hedionda, é pra ser preso, cumprir pena em integralidade.

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Mas aqui é o Brasil da progressão de pena, do indulto pra quem mata pai e mãe. A inversão de valores impera.

Assim, querem punir as organizadas como um todo, sendo que a maioria de bem, paga pela minoria de maus elementos que existem.

Ocorre que maus elementos existem em todos segmentos sociais. Vamos fechar todas escolas de samba do Brasil porque ocorrem alguns bandidos dentro delas? Vamos fechar o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto, Assembleias Legislativas, Câmaras de Vereadores, Prefeituras, porque escândalos de corrupção assolam o país? O certo não seria punir individualmente cada criminoso e preservar as instituições e coletividades que estão inseridos?

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A má vontade impera, o desleixo, a arbitrariedade. Ações ditatoriais de autoridades, como se vivêssemos há 30 anos atrás. Ocorre que, como já lembrado no início desta coluna, até naquela época, a livre manifestação popular da festa das arquibancadas ocorria, sem repressão.

Não é fechando uma torcida organizada que o problema de violência estará resolvido. Muito pelo contrário, a clandestinidade fará perder todo instrumento de controle. Se existe monitoramento, cadastro, é só aplicar para identificar autores e o mais importante, a lei funcionar (e não ser de mentira, como quase tudo no Brasil) para manter afastado dos estádios, o mau torcedor.

Finalizo esta reflexão para a sociedade, parabenizando as pessoas que fazem a Independente seguir forte nos seus ideais de representar o São Paulo FC, onde ele estiver.

Pra você, sinceramente, o pedido: não julgue os homens, as mulheres, as crianças, pertencentes a uma organizada, como um todo. Na festa de 44 anos, estiveram ídolos tricolores, personalidades da música, cartolas são-paulinos, de situação e oposição. Sim, existem problemas, como qualquer outra coletividade. Mas jamais uma torcida tem que ser tratada, na sua integralidade, como fora da lei. Se for, podem vir me prender, pois fui e voltei a ser, associado com orgulho.

Apoiarei, como sempre fiz, a volta da festa nas arquibancadas e condenarei, com a mesma contundência, todo ato de violência, punido de forma errada pelo poder. Chega de impunidade!

independente 44

Violência é proibir!

Saudações Tricolores!

Fotos: Maguila Santos