O porquê da mobilização: #EiGustavoPedePraSair

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O São Paulo luta, dentro de campo, para reencontrar definitivamente o sentido de sua grandeza.

Fora de campo, é fundamental que isso ocorra também.

Voltemos à 2011.

O terceiro mandato do saudoso Juvenal Juvêncio, dirigente eterno de relação de amor e ódio com o torcedor são-paulino, deixou marcas profundas no clube. Desde então, o modelo vanguardista de administração foi definitivamente atingido, passando de modelo a exemplo para não ser seguido.

Perpetuação do poder, criação de cargos diretivos, loteamento político de conselheiros, coincidiram com os maiores fracassos da história tricolor, dentro dos gramados.

O São Paulo viveu, do período pós tri-hexa (2006-2008) à conquista da Sulamericana (2012), o maior jejum de títulos desde a construção do Morumbi.

Se considerarmos até o presente 2016, vivemos a era que foi marcada também por tabus negativos em clássicos, humilhações em jogos para times de menor expressão e eliminações medíocres e sucessivas, que mancharam a tradição tricolor.

Porém, a camisa do São Paulo, como diz o jargão “entorta o varal” e o time escapou de situações como rebaixamento (2013) e conseguiu alguns feitos esporádicos de alento, mas muito pouco diante de todo histórico de conquistas do Tricolor.

Assim, já são 11 anos sem um título estadual, 8 sem um título nacional e outros 11, sem um título internacional de grande relevância. Releve-se a Sula, em 2012.

Neste cenário, a análise desta coluna aborda Gustavo Vieira de Oliveira.

São-paulino (a maioria diz e eu acredito), filho de uma lenda rival dos campos, mas sobrinho de outra lenda tricolor, Gustavo faz parte da diretoria do São Paulo, justamente a partir do período de maiores fracassos e escassez de glórias. Coincidência ou não, é fato pacífico.

Gustavo é executivo do futebol, de formação excelente. Advogado pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco, especializado pela FGV em Gestão do Esporte.

Ocorre que o mundo boleiro não envolve somente diploma e os resultados dos últimos anos, comprovam tal fato.

O sobrinho de Raí começou a ser realmente notado no clube, a partir da contratação de Luis Fabiano, o “trunfo” de JJ antes da eleição 2011. Atuando na área jurídica ainda, esteve presente na concretização da vinda de Ganso ao Tricolor, no ano de 2012.

Nomes pesados que contribuíram, talvez, para sua efetivação ao cargo de dirigente do clube, em julho de 2013, após o traumático período de Adalberto Baptista, na função de diretor de futebol. A diferença, é que Gustavo chegava remunerado, ganhando salário.

2013 foi o ano da campanha dramática de salvação do São Paulo no Brasileirão. Gustavo teve atuação muito discreta, trazendo Antonio Carlos, Roger Carvalho do Tombense e Luis Ricardo, ao final do campeonato, da Portuguesa. Jogadores que não deram certo e alguns, ainda trouxeram imbróglios jurídicos ao clube, após saírem.

Em 2014, Juvenal fez o seu sucessor, Carlos Miguel Aidar. Gustavo permaneceu na diretoria, ainda de forma remunerada, que agora contava com Ataíde Gil Guerreiro, como homem-forte da pasta. Contratações como Michel Bastos, Thiago Mendes e Álvaro Pereira, melhoraram a performance do jovem dirigente à frente de suas responsabilidades. Pato, trocado por Jadson, parecia ter sido bom negócio nos campos também, ao lado de Kaka, que Aidar teve como prioridade trazer. O SPFC terminaria o ano como vice-campeão nacional.

Algumas negociações causaram estranheza técnica, pelo seu caráter relâmpago. Pabón (2014), Jonathan Cafu (2015) e Kieza (2016), estiveram nesse rol. Contratar jogadores que não permanecem mais do que um semestre certamente não é um acerto de planejamento.

Ocorre que, em 2015, explodiu a crise política do SPFC. Gustavo, que havia trazido também os reforços de Bruno e Carlinhos (Álvaro Pereira ficou insatisfeito e saiu do clube) tinha dificuldades em conduzir o seu papel e acabou sendo demitido.

Após o escândalo sem precedentes que culminou na renúncia de Carlos Miguel Aidar e permanência de Ataíde Gil Guerreiro (ambos expulsos posteriormente do Conselho Deliberativo do clube), Gustavo foi reconduzido ao cargo pelo novo presidente, Carlos Augusto Barros e Silva, o Leco.

Eis que, a partir de então, algumas questões foram levantadas e seguem diante do seu trabalho.

A mais questionável delas, a remuneração. Como já destacado, o período de Gustavo (e de todos dirigentes) à frente do SPFC, coincidiu com a era mais trágica de gestão do clube. Dívida monstruosa adquirida nas gestões de Juvenal e Aidar, resultados pífios nos campos. Protestos como nunca vistos por parte da torcida. Neste cenário, Gustavo voltou ganhando substancialmente mais do que recebia anteriormente, em progressão de salário. Leco explicou em dezembro de 2015 a forma de pagamentos ao dirigente, o que desagradou grande parte da coletividade são-paulina, porque incluía, além do salário, o bônus em venda de atletas (que Gustavo negara um mês antes http://globoesporte.globo.com/futebol/times/sao-paulo/noticia/2015/11/gustavo-nega-versao-de-leco-e-explica-comissao-por-resultados.html e acabou se confirmando depois). Confira a entrevista de Leco: http://spfc.terra.com.br/news.asp?nID=139911.

Nos corredores do Conselho, parece que afirmam que a tal comissão/bonificação não existe mais. Ocorre que, publicamente, prevalece o que disse o presidente. Que venha então a público, desmentir.

O Tricolor começou 2016 em profunda crise administrativa. Leco havia determinado que Ataíde começasse o ano cuidando do futebol com Gustavo. Fracassaram no vestiário. Kieza foi um escândalo. Até greve de silêncio ocorreu, pela má gestão. Os resultados não vinham, os protestos contundentes voltaram, pelas organizadas, sócios torcedores, redes sociais. Oposição querendo prestação de contas, caso Jorginho Paulista, balancetes jurídicos passados, são questões que Leco tem que esclarecer, junto dos seus diretores.

Raí, o tio, chegou a afirmar que faltava “alma” ao São Paulo. Com toda razão.

Então, as manifestações transformaram o São Paulo. Ataíde foi destituído da vice-presidência de futebol e Gustavo retroagiu à função de contratos. Vieram Luiz Cunha e Pintado, que fizeram o Tricolor reagir nos jogos e apaziguar os bastidores. Caso tais mudanças não tivessem ocorrido, certamente, o são-paulino não teria ficado esperançoso pelo tetra da Libertadores.

Ocorre que Luiz Cunha não teve boa permanência com Gustavo e saiu. O time, que havia reagido com Cunha, caiu drasticamente de produção, novamente, com GVO e nova diretoria de futebol que foi montada, envolvendo Medicis e Jacobson (quase a torcida não ouve falar das suas atuações). Cunha havia encaminhado o time para a semifinal, período de pausa que GVO não reforçou a equipe em peças-chave, como fez o Atlético Nacional. Erro crucial. Eliminação com sobras.

Nomes como Calleri e Maicon chegaram com prazos limitados, o segundo conseguiu extensão, mérito do dirigente mas com uma grande ressalva, o ágio pago por um empréstimo de prazo errôneo anterior. R$ 22 milhões em um zagueiro mais atletas promissores da base, ficou muito caro.

Mena, Kelvin, o retorno de Lugano e, principalmente, a contratação (e demissão) de Bauza, formam o ciclo de Gustavo em 2016. Fechado com o bom Cueva (que gerou conflito de hierarquia) e com outra derrapagem terrível do dirigente, Getterson. Chávez tenta suprir a saída de Calleri. Dois atletas lesionados chegaram na reta final do semestre, Douglas e Jean Carlos.

Ricardo Gomes é a última peça desse jogo de xadrez perdido, em 2016.

Muito ainda existe pra se questionar, na retomada dos trilhos do São Paulo. Gustavo (e todos) fazem parte de um modelo estatutário arcaico de administração, onde muitos dos dirigentes atuais, fizeram parte da fase mais deplorável do Tricolor, nos últimos anos. Um ganha, outro não ganha, cargos remunerados abaixo de diretorias não remuneradas.

Os números ao longo dos anos de Gustavo são péssimos (e contra eles não existem argumentos, espelham o SPFC nos gramados). Aqui, o retrospecto desde sua chegada em julho de 2013, considerando os 5 meses que ficou afastado, com Aidar, até o retorno com Leco:

JJ/Aidar/Leco, com Gustavo: 29 clássicos (descontando os poucos meses que esteve fora), 8 vitórias. 21 insucessos, sendo 14 derrotas, goleadas e eliminações. Em gols sofridos, a humilhação aumenta: tomamos 9 gols da SEP (fizemos 5), tomamos 16 do SFC (fizemos 7), tomamos 17 do SCCP (fizemos 9).

Fomos eliminados com Ponte Preta na Sulamericana, Penapolense no Paulista, Bragantino na Copa do Brasil, Nacional na Sulamericana, Cruzeiro na Libertadores, Santos na Copa do Brasil e no Paulista, Audax no Paulista, nenhuma final, caiu com times grandes, mas também com série B e D. Juventude, série C, outro grande risco.

Conclusão:

Um clube que representa uma nação de quase 20 milhões de torcedores, não pode abrir mais mão da profissionalização.

Todos torcemos pelo sucesso do time que, consequentemente, seria também do dirigente e de todos que formam a nova diretoria. Porém, GVO, representando as nossas cores, teve todas as chances nas decisões de planejamento passadas e presentes. Esperaremos as que virão pela frente? São anos de fracassos sucessivos. O time corre risco de rebaixamento novamente.

O tempo urge para o São Paulo acordar em sua gestão.

Um sinal desse despertar, será a demissão do dirigente, pelo presidente Leco.

Ou o próprio pedido de demissão, por parte de Gustavo.

Chega, não dá mais, o SPFC clama, a nação tricolor, em sua grande maioria, também (confira no Twitter, a força da hashtag):

#EiGustavoPedePraSair

 

Saudações Tricolores.

Carlos Port – Opinião Tricolor