Descanse em paz Juvenal Juvêncio, o antagônico.

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Descanse em paz Juvenal Juvêncio, o antagônico.

O presidente que marcou época no Tricolor paulista, para o bem e para o mal. Carismático para muitos, soberbo para outros tantos, características notórias do cidadão mais ilustre da história de Santa Rosa do Viterbo.

Homem que migrou politicamente de Faria Lima, para os braços do PT. Democraticamente, de direito. Mas tal ideologia foi muito nociva ao São Paulo, principalmente, na era do fanático corintiano, Luís Inácio.

Porém, o assunto aqui é futebol.

E o momento é de pesar, pela morte de JJ.

Carlos Miguel Aidar. O homem que fez Juvenal Juvêncio ser diretor de futebol, em 1984. Grande diretor. Campeão paulista duas vezes (85-87) e brasileiro (86), com Carlos Miguel.

Após isso, foi eleito presidente do antagonismo vencedor e perdedor, no final da década de 80, ao vencer o campeonato paulista de 1989 e no ano seguinte, protagonizar a pior campanha do SPFC em um estadual. Seu sucessor, Pimenta, nada mais poderia fazer quando assumiu a equipe. O Tricolor só não caiu porque o regulamento não permitia.

A política tricolor mudou de ventos e mãos, foi bicampeã da América e do Mundo com outros personagens, até o começo do novo século.

Quando JJ promoveu uma escalada crescente e notória na política são-paulina, como ninguém foi capaz de superar, no século XXI.

O saudoso e também eterno Dr. Marcelo Portugal Gouvêa foi eleito presidente em abril de 2002 e convenceu Juvenal a voltar ao SPFC, para ser novamente diretor de futebol, cargo que ocupou entre 2003 a 2006.

Uma dupla que foi fantástica. Juntos, fizeram o SPFC voltar pra Libertadores após 10 anos. E a venceram.

Juntos, conquistaram o Tri-mundial!

Então, Juvenal Juvêncio gostou de ser Tri e partiu pra um novo mandato de presidente, conquistando o Tri-Hexa brasileiro. Campeonatos consecutivos que jamais outro clube brasileiro foi capaz de igualar.

Mas, a partir de então, os problemas começaram a se somar.

A postura tida como soberba, o tal “Soberano”, começou a “machucar” o SPFC, aos poucos.

Os números desfavoráveis mostram o tamanho do abismo provocado pela perpetuação do poder, “coroada” com um terrível terceiro mandato, às custas de uma mudança de estatuto, até hoje criticada.

Clássicos: 81 disputados entre abril de 2006 até abril de 2014. Apenas 27 vencidos, apesar da chave de ouro de vencer o último Majestoso em março 2014. Um terço de aproveitamento, isso nunca foi SPFC.

Campeonatos: 31 disputados, apenas 4 títulos. Como atenuante marcante, o histórico e único tri consecutivo da história do Brasileirão, já sublimado aqui. Mas foram muitas decepções e vexames históricos, como nunca na história do SPFC. Quando foi mata-mata, mais trágico ainda. 23 disputados, 22 perdidos.

O ocaso foi a campanha desesperadora do Brasileirão 2013.

Na era JJ pós 2006, foram cerca de 20 contratações que deram certo, para mais de 50 que deram errado. Quanto aos treinadores, foram 14 trocas, para 8 técnicos diferentes. Começou e terminou com Muricy Ramalho.

Ressalte-se a competência de JJ em vender bem, jogadores da base ou não, foram negociados com valores altíssimos para o SPFC, sobretudo, Lucas.

Mesmo com tantos desmandos entre 2009 a 2013, sua força política permaneceu gigante no conselho são-paulino. E os papéis se inverteram: Aidar havia feito JJ presidente em 1988. JJ fez Aidar presidente em 2014.

Para então, protagonizarem a maior briga de dirigentes já vista na história do Tricolor. Infelizmente, outra mancha histórica.

Dizem e concordo: JJ sempre funcionou melhor como diretor, do que como presidente. Os resultados falam por si só.

O legado de Juvenal foi a gestão patrimonial. Os avanços de Cotia, Barra Funda e Morumbi, justificaram, em parte, os últimos anos da presidência do polêmico JJ.

Juvenal Juvêncio fez parte da geração de dirigentes que mandaram nos seus clubes por grande período. Hoje, o futebol é outro. O caminho da profissionalização é mister. O São Paulo ainda não percebeu isso e se não acordar a tempo, seguirá refém do modelo que JJ deixou.

Amado, odiado, agora, perpétuo.

Deus o tenha.

 

Saudações Tricolores.

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