As perguntas que o são-paulino quer saber

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1) Por que o presidente Leco, logo após a sua posse, teve distanciamento de Abílio Diniz, que o apoiara na transição pós-renúncia, de Carlos Miguel Aidar? Se Diniz era o caminho da profissionalização, porque foi repelido?

2) Por que Roberto Natel se desligou da vice-presidência? Temos um racha, Leco e Natel disputarão quem será o candidato pela situação?

3) Por que Ataide Gil Guerreiro, expulso do Conselho Deliberativo pelos votos de 120 conselheiros, segue diretor representando a instituição?

4) Qual a verdadeira razão do pedido de desligamento de Luiz Cunha, único diretor a ter sucesso nos gramados, na temporada 2016? Em tempo, o que foi feito de Pintado, tem voz ativa na comissão técnica?

5) A comissão da reforma do estatuto está atendendo os anseios de profissionalização do clube ou está sendo feita politicamente? Quantos membros são ligados à diretoria atual, existe uma paridade entre situacionistas e oposicionistas?

6) O Conselho de Ética, presidido por Ópice Blum, tem autonomia para julgar casos presentes, ou somente de administrações passadas?

7) No São Paulo existe lei da mordaça contra conselheiros, associados e torcedores?

8) Quem manda no departamento de futebol do São Paulo, na prática? Por que o torcedor quase nunca presencia pronunciamentos do vice Medicis ou do diretor Jacobson, sobre o time?

9) Marco Aurélio Cunha veio somente para ajudar no final da temporada 2016, ou tem pretensões políticas em 2017? Se tornou aliado de Leco ou segue oposição?

10) Qual o tamanho do poder político de Manssur, VP de marketing e ex-sócio do executivo demitido Gustavo Vieira de Oliveira, dentro do São Paulo?

Observação: o site Opinião Tricolor está à plena disposição da diretoria, para as respostas.

Saudações Tricolores.

Carlos Port – Opinião Tricolor

Opinião Tricolor: entrevista Alex Bourgeois

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O Opinião Tricolor entrevistou, com exclusividade, Alex Bourgeois, ex-CEO do São Paulo FC, para maior conhecimento da torcida e esclarecimentos de fatos relevantes da sua passagem pelo Tricolor, desde a chegada ao clube, até o atual processo movido pelas suas demissões. Bastidores, política, poder.

Confira!

1) Alex, você define a sua atividade profissional, nas redes sociais, com a seguinte descrição: “Executivo e Gestor de futebol. Defende a gestão profissional como único caminho para poder competir em igualdades de condições no futebol globalizado.”

O que te impediu de levar estes conceitos ao São Paulo?

Em primeiro lugar, a gestão do clube é amadora, antiga, ultrapassada. Quando eu chamo de amadora, quero dizer que os interesses das pessoas estão acima dos interesses da instituição. Esse perfil de presidente de clube personalista, autoritário, que contrata conselheiros amigos, remunera e chama isso de profissionalização, não tem mais lugar no mundo do futebol. Em segundo lugar, a questão política. O SPFC é hoje um clube muito dividido, se tornou uma agremiação política que também joga futebol.

2) Para a nação tricolor entender a sua trajetória no clube, conte como foi a sua chegada e saída do SPFC, por favor. Nas duas fases, com Aidar e Leco.

Após conversar com Abílio, o Aidar me convidou para implantar a gestão profissional no clube. Montei um plano de ação imediato e um planejamento para implantar essa gestão e modernizar conceitos. Mas tanto no futebol como na gestão administrativa a resistência foi imensa. O viés autoritário de um homem mandando sozinho, como se fazia no passado, e tomando todas as decisões foi um enorme obstáculo à minhas propostas de transparência, compartilhamento das decisões, integração das áreas e da tomada de decisão.

3) Abílio Diniz, talvez o empresário de maior porte são-paulino, é constantemente vinculado às suas passagens pelo Tricolor. Diniz é um dos notáveis do Conselho Consultivo. Recentemente, levou conceitos e sugestões de gestão, em sessão extraordinária, ao clube. No seu entender, qual a importância de se ouvir Abílio, que clama pela profissionalização no Tricolor?

Abílio é um empresário muito bem-sucedido. Tem uma experiência incrível e quer passar essa experiência em gestão, em como ter sucesso, em como transformar o SPFC no maior do mundo como ele fez com as empresas dele. Esse é o legado que ele gostaria de deixar para o clube. Acredito que qualquer clube do Brasil, e do mundo, gostaria de ter seus conselhos. Ele está oferecendo isso de graça ao SPFC. É um grande são-paulino, um apaixonado.

4) Na sua opinião, o quão Abílio Diniz foi importante na transição de poder do SPFC? Do processo que culminou na renúncia de Aidar à aceitação do cargo, pelo atual presidente, Leco?

Quando fui demitido por Aidar, inclusive no episódio mais lamentável da minha vida profissional com ameaça física e de baixíssimo nível, fui procurado pelo Leco e os que estão na gestão atual. Queriam minha ajuda para desenvolver a gestão profissional e me convenceram a voltar ao SPFC. Nesse período fiquei bastante próximo do Leco, inclusive escrevi o plano de gestão, que foi sua plataforma eleitoral, com todos os conceitos de profissionalização. O apoio do Abílio foi determinante nessa transição.

5) Complementando, à época, a diretoria atual teria mais dificuldades em assumir o SPFC, se não fosse o préstimo e peso de Abílio Diniz?

Na renúncia do Aidar, o Leco e vários membros da atual diretoria procuraram o apoio do Abílio para uma nova gestão com os conceitos de governança e profissionalização dele. Abílio foi muito leal e ajudou muito o Leco.

6) Enquanto esteve no São Paulo, na condição de CEO, você participou de decisões diretivas efetivamente ou foi boicotado em algum momento? Em caso de resposta afirmativa sobre boicote, poderia mencionar onde encontrou mais dificuldades de informações para se montar um plano otimizado de gestão? Ou teve acesso a tudo que precisou?

Acesso as decisões e aos dados financeiros eu tive. Não tive foi acesso aos meios e apoio para implantar a profissionalização no clube. A administração se sentia ameaçada, não queria conceitos modernos, não queriam compartilhar decisões, não queriam transparência. Cada um queria defender seu feudo e mandar sozinho fazendo o que bem entendesse.

7) O que, de fato, ocorreu para a sua segunda demissão do clube? Você acredita que tenha sido usado politicamente e depois descartado? Seus críticos falam em vazamento de informações, o que tem a dizer a respeito? Notícias seguem vazando do SPFC após a sua saída, onde será que o “encanamento” estaria furado?

Quero deixar claro que nunca vazei nenhuma informação e que os jornalistas que deram as duas noticias sabem que eu não fui a fonte. Acredito que o Leco me trouxe de volta para não atrapalhar sua eleição, assim que assumiu a presidência me demitiu. Gestão profissional e o Leco são coisas que não combinam. Esse é o modo antigo de administrar que está com os dias contados no Brasil assim como aconteceu na Europa. Com o novo estatuto, o próximo presidente terá que compartilhar decisões, aceitar auditoria externa, aceitar o acompanhamento da gestão pelos verdadeiros donos: os sócios e torcedores, ter uma gestão transparente, aceitar prestar contas, ser responsabilizado pelos seus atos e não poder mais tomar decisões em conchavo.

8) Por fim, veio a público a questão do processo movido contra o São Paulo. O que o levou a tomar essa decisão?

O Brasil tem leis. Contrato se cumpre. Gestão profissional é mandar embora e cumprir o contrato. Gestão amadora, autoritária, antiga e ultrapassada é demitir e mandar buscar seus direitos na justiça, que foi o que Leco me disse. E foi o que fiz.

9) Publicamente torcedor do Flamengo, você tem filhos são-paulinos. Acredita que o São Paulo voltará a ser o gigante do passado? O que é necessário acontecer para isso?

Meus filhos são são-paulinos porque eram pequenos na época do mundial e do tri brasileiro. Acho isso ótimo. Quem tem filho sabe que é muito mais difícil seus filhos sofrerem pelo mau momento do time do que você com seu próprio time. Tenho convicção que só uma gestão moderna e profissional com sistema de governança corporativa levará o SPFC a se tornar um gigante de novo. Mas essa mudança também fará o Tricolor liderar o processo de mudança necessária no futebol brasileiro e se tornará um dos maiores do mundo.

10) Deixe sua mensagem ao torcedor tricolor.

A reforma estatutária é o caminho para modernizar e profissionalizar o SPFC. Os torcedores e sócios devem se informar e trabalhar pela sua aprovação. Somente assim teremos chance de competir em igualdade de condições com o futebol rico e globalizado. Os tempos mudaram. O SPFC é um clube espetacular, o sócio e o torcedor precisam entender que eles são os donos, não é o presidente. Eles são os donos da mudança, o futuro do clube está em suas mãos, não ignorem isso, lutem por ele. O Clube não é de um grupo de pessoas que querem se perpetuar no poder por benefício próprio, por ego, por vaidade ou por sonho. O clube tem como principal função retribuir com profissionalismo, transparência, gestão eficiente e muitos títulos a paixão que os torcedores dedicam e investem a cada jogo. O futebol está globalizado, os times europeus têm 10x o nosso poder de compra. Se não modernizar, não profissionalizar com os melhores talentos do mercado, nosso futebol vai piorar ainda mais. Esse é o caminho da vitória.

 

Saudações Tricolores!

Opinião Tricolor

O fim da era Gustavo Vieira de Oliveira

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Salve nação tricolor,

Diante de tanta turbulência na temporada 2016 do São Paulo, enfim, uma boa notícia: A demissão de Gustavo Vieira de Oliveira, o GVO.

Jamais subestimem o poder de mobilização da torcida do São Paulo.

Aqui, no Opinião Tricolor, já estávamos demonstrando faz tempo, como essa questão era importante para o time. Em análise e até em carta aberta, pedindo que entregasse o cargo.

Enfim, feito.

Não me alongarei muito, questionando vários jogadores trazidos ou dúvidas sobre os 3% existirem ou não, já fizemos isto.

O importante é sempre o passo à frente e, dessa vez, o São Paulo o fez.

Claro que não desejamos mal pra nenhum profissional, a questão nunca foi pessoal. Aliás, os atributos positivos de Gustavo, excelente formação, sangue de Raí na família, contratações que acertou, sempre foram apontados.

Porém, os erros superaram em muito, aos acertos. Desde o segundo semestre de 2013, quando assumiu o cargo remunerado de futebol, passando pelas gestões de JJ, Aidar (1 ano e 1 mês, do período de 1 ano e meio que CMA ficou na presidência) e Leco, muitos equívocos culminaram na formação de elencos desequilibrados, onde faltou de tudo: qualidade em todos setores do campo, lideranças positivas, ambição de títulos, bom ambiente e domínio de vestiário.

Só os canudos não foram suficientes, faltou ser respeitado pelo mundo boleiro.

Os resultados não deixam dúvidas: 14 campeonatos disputados, todos perdidos. Nenhuma final atingida. Eliminações humilhantes e vexatórias para times de divisões inferiores, ano a ano em que esteve no cargo.

Nos clássicos, outra vergonha de fracasso e incompetência: foram 30 com GVO, para apenas 8 vitórias. 15 derrotas e quase 50 gols tomados. Nunca o aproveitamento contra os rivais foi tão ruim.

Some-se tudo isso, ao continuísmo de uma gestão viciada, desde o terceiro mandato de Juvenal Juvêncio. Sociedades passadas com quem exerce poder no clube, parceria no futebol com dirigente que foi expulso do Conselho Deliberativo.

Simplesmente, um fiasco. Pra quem ganhava muito. Melhor dizendo, voltou ganhando muito mais do que recebia, sem razões justificáveis, como conquistas, por exemplo.

Não dava mais, as campanhas não deixam dúvidas. “Ah mas ele não jogava”. Mas planejava quem iria jogar e foi lamentável.

Seus poucos defensores ferrenhos, que se comportam mais como fã-clube do que como torcedores, assistirão o São Paulo não ter sucesso de títulos no curto prazo e dirão que a culpa não era dele. Claro que nunca foi só dele. Mas teve participação efetiva nas campanhas deploráveis e o futuro próximo, ainda terá sequelas de mais um ano do mau planejamento de GVO.

Sucesso e saúde ao Gustavo em seu caminho, mas tardou ao deixar o Tricolor do Morumbi.

Que venham novos tempos, com profissionais mais capazes. Ou de história comprovada no São Paulo. Bons nomes existem.

Saudações Tricolores!

Carlos Port – Opinião Tricolor

O porquê da mobilização: #EiGustavoPedePraSair

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O São Paulo luta, dentro de campo, para reencontrar definitivamente o sentido de sua grandeza.

Fora de campo, é fundamental que isso ocorra também.

Voltemos à 2011.

O terceiro mandato do saudoso Juvenal Juvêncio, dirigente eterno de relação de amor e ódio com o torcedor são-paulino, deixou marcas profundas no clube. Desde então, o modelo vanguardista de administração foi definitivamente atingido, passando de modelo a exemplo para não ser seguido.

Perpetuação do poder, criação de cargos diretivos, loteamento político de conselheiros, coincidiram com os maiores fracassos da história tricolor, dentro dos gramados.

O São Paulo viveu, do período pós tri-hexa (2006-2008) à conquista da Sulamericana (2012), o maior jejum de títulos desde a construção do Morumbi.

Se considerarmos até o presente 2016, vivemos a era que foi marcada também por tabus negativos em clássicos, humilhações em jogos para times de menor expressão e eliminações medíocres e sucessivas, que mancharam a tradição tricolor.

Porém, a camisa do São Paulo, como diz o jargão “entorta o varal” e o time escapou de situações como rebaixamento (2013) e conseguiu alguns feitos esporádicos de alento, mas muito pouco diante de todo histórico de conquistas do Tricolor.

Assim, já são 11 anos sem um título estadual, 8 sem um título nacional e outros 11, sem um título internacional de grande relevância. Releve-se a Sula, em 2012.

Neste cenário, a análise desta coluna aborda Gustavo Vieira de Oliveira.

São-paulino (a maioria diz e eu acredito), filho de uma lenda rival dos campos, mas sobrinho de outra lenda tricolor, Gustavo faz parte da diretoria do São Paulo, justamente a partir do período de maiores fracassos e escassez de glórias. Coincidência ou não, é fato pacífico.

Gustavo é executivo do futebol, de formação excelente. Advogado pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco, especializado pela FGV em Gestão do Esporte.

Ocorre que o mundo boleiro não envolve somente diploma e os resultados dos últimos anos, comprovam tal fato.

O sobrinho de Raí começou a ser realmente notado no clube, a partir da contratação de Luis Fabiano, o “trunfo” de JJ antes da eleição 2011. Atuando na área jurídica ainda, esteve presente na concretização da vinda de Ganso ao Tricolor, no ano de 2012.

Nomes pesados que contribuíram, talvez, para sua efetivação ao cargo de dirigente do clube, em julho de 2013, após o traumático período de Adalberto Baptista, na função de diretor de futebol. A diferença, é que Gustavo chegava remunerado, ganhando salário.

2013 foi o ano da campanha dramática de salvação do São Paulo no Brasileirão. Gustavo teve atuação muito discreta, trazendo Antonio Carlos, Roger Carvalho do Tombense e Luis Ricardo, ao final do campeonato, da Portuguesa. Jogadores que não deram certo e alguns, ainda trouxeram imbróglios jurídicos ao clube, após saírem.

Em 2014, Juvenal fez o seu sucessor, Carlos Miguel Aidar. Gustavo permaneceu na diretoria, ainda de forma remunerada, que agora contava com Ataíde Gil Guerreiro, como homem-forte da pasta. Contratações como Michel Bastos, Thiago Mendes e Álvaro Pereira, melhoraram a performance do jovem dirigente à frente de suas responsabilidades. Pato, trocado por Jadson, parecia ter sido bom negócio nos campos também, ao lado de Kaka, que Aidar teve como prioridade trazer. O SPFC terminaria o ano como vice-campeão nacional.

Algumas negociações causaram estranheza técnica, pelo seu caráter relâmpago. Pabón (2014), Jonathan Cafu (2015) e Kieza (2016), estiveram nesse rol. Contratar jogadores que não permanecem mais do que um semestre certamente não é um acerto de planejamento.

Ocorre que, em 2015, explodiu a crise política do SPFC. Gustavo, que havia trazido também os reforços de Bruno e Carlinhos (Álvaro Pereira ficou insatisfeito e saiu do clube) tinha dificuldades em conduzir o seu papel e acabou sendo demitido.

Após o escândalo sem precedentes que culminou na renúncia de Carlos Miguel Aidar e permanência de Ataíde Gil Guerreiro (ambos expulsos posteriormente do Conselho Deliberativo do clube), Gustavo foi reconduzido ao cargo pelo novo presidente, Carlos Augusto Barros e Silva, o Leco.

Eis que, a partir de então, algumas questões foram levantadas e seguem diante do seu trabalho.

A mais questionável delas, a remuneração. Como já destacado, o período de Gustavo (e de todos dirigentes) à frente do SPFC, coincidiu com a era mais trágica de gestão do clube. Dívida monstruosa adquirida nas gestões de Juvenal e Aidar, resultados pífios nos campos. Protestos como nunca vistos por parte da torcida. Neste cenário, Gustavo voltou ganhando substancialmente mais do que recebia anteriormente, em progressão de salário. Leco explicou em dezembro de 2015 a forma de pagamentos ao dirigente, o que desagradou grande parte da coletividade são-paulina, porque incluía, além do salário, o bônus em venda de atletas (que Gustavo negara um mês antes http://globoesporte.globo.com/futebol/times/sao-paulo/noticia/2015/11/gustavo-nega-versao-de-leco-e-explica-comissao-por-resultados.html e acabou se confirmando depois). Confira a entrevista de Leco: http://spfc.terra.com.br/news.asp?nID=139911.

Nos corredores do Conselho, parece que afirmam que a tal comissão/bonificação não existe mais. Ocorre que, publicamente, prevalece o que disse o presidente. Que venha então a público, desmentir.

O Tricolor começou 2016 em profunda crise administrativa. Leco havia determinado que Ataíde começasse o ano cuidando do futebol com Gustavo. Fracassaram no vestiário. Kieza foi um escândalo. Até greve de silêncio ocorreu, pela má gestão. Os resultados não vinham, os protestos contundentes voltaram, pelas organizadas, sócios torcedores, redes sociais. Oposição querendo prestação de contas, caso Jorginho Paulista, balancetes jurídicos passados, são questões que Leco tem que esclarecer, junto dos seus diretores.

Raí, o tio, chegou a afirmar que faltava “alma” ao São Paulo. Com toda razão.

Então, as manifestações transformaram o São Paulo. Ataíde foi destituído da vice-presidência de futebol e Gustavo retroagiu à função de contratos. Vieram Luiz Cunha e Pintado, que fizeram o Tricolor reagir nos jogos e apaziguar os bastidores. Caso tais mudanças não tivessem ocorrido, certamente, o são-paulino não teria ficado esperançoso pelo tetra da Libertadores.

Ocorre que Luiz Cunha não teve boa permanência com Gustavo e saiu. O time, que havia reagido com Cunha, caiu drasticamente de produção, novamente, com GVO e nova diretoria de futebol que foi montada, envolvendo Medicis e Jacobson (quase a torcida não ouve falar das suas atuações). Cunha havia encaminhado o time para a semifinal, período de pausa que GVO não reforçou a equipe em peças-chave, como fez o Atlético Nacional. Erro crucial. Eliminação com sobras.

Nomes como Calleri e Maicon chegaram com prazos limitados, o segundo conseguiu extensão, mérito do dirigente mas com uma grande ressalva, o ágio pago por um empréstimo de prazo errôneo anterior. R$ 22 milhões em um zagueiro mais atletas promissores da base, ficou muito caro.

Mena, Kelvin, o retorno de Lugano e, principalmente, a contratação (e demissão) de Bauza, formam o ciclo de Gustavo em 2016. Fechado com o bom Cueva (que gerou conflito de hierarquia) e com outra derrapagem terrível do dirigente, Getterson. Chávez tenta suprir a saída de Calleri. Dois atletas lesionados chegaram na reta final do semestre, Douglas e Jean Carlos.

Ricardo Gomes é a última peça desse jogo de xadrez perdido, em 2016.

Muito ainda existe pra se questionar, na retomada dos trilhos do São Paulo. Gustavo (e todos) fazem parte de um modelo estatutário arcaico de administração, onde muitos dos dirigentes atuais, fizeram parte da fase mais deplorável do Tricolor, nos últimos anos. Um ganha, outro não ganha, cargos remunerados abaixo de diretorias não remuneradas.

Os números ao longo dos anos de Gustavo são péssimos (e contra eles não existem argumentos, espelham o SPFC nos gramados). Aqui, o retrospecto desde sua chegada em julho de 2013, considerando os 5 meses que ficou afastado, com Aidar, até o retorno com Leco:

JJ/Aidar/Leco, com Gustavo: 29 clássicos (descontando os poucos meses que esteve fora), 8 vitórias. 21 insucessos, sendo 14 derrotas, goleadas e eliminações. Em gols sofridos, a humilhação aumenta: tomamos 9 gols da SEP (fizemos 5), tomamos 16 do SFC (fizemos 7), tomamos 17 do SCCP (fizemos 9).

Fomos eliminados com Ponte Preta na Sulamericana, Penapolense no Paulista, Bragantino na Copa do Brasil, Nacional na Sulamericana, Cruzeiro na Libertadores, Santos na Copa do Brasil e no Paulista, Audax no Paulista, nenhuma final, caiu com times grandes, mas também com série B e D. Juventude, série C, outro grande risco.

Conclusão:

Um clube que representa uma nação de quase 20 milhões de torcedores, não pode abrir mais mão da profissionalização.

Todos torcemos pelo sucesso do time que, consequentemente, seria também do dirigente e de todos que formam a nova diretoria. Porém, GVO, representando as nossas cores, teve todas as chances nas decisões de planejamento passadas e presentes. Esperaremos as que virão pela frente? São anos de fracassos sucessivos. O time corre risco de rebaixamento novamente.

O tempo urge para o São Paulo acordar em sua gestão.

Um sinal desse despertar, será a demissão do dirigente, pelo presidente Leco.

Ou o próprio pedido de demissão, por parte de Gustavo.

Chega, não dá mais, o SPFC clama, a nação tricolor, em sua grande maioria, também (confira no Twitter, a força da hashtag):

#EiGustavoPedePraSair

 

Saudações Tricolores.

Carlos Port – Opinião Tricolor