Um editorial crítico e de respeito ao SPFC

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Salve nação tricolor.

2016, aparentemente, começava diferente no nosso amado São Paulo.

Aparentemente.

Depois de uma tormenta como nunca antes vista na temporada 2015, que quase destruiu o clube moralmente, conseguimos sobreviver para a Libertadores.

Não vou me ater ao passado político, sabedoria é olhar sempre para o presente e para o futuro.

Assim, iniciamos de certa forma promissora, não no sentido de favoritismo de títulos, mas de retomada de caminho.

Veio Bauza, um técnico bi-campeão da Libertadores. Chegou Calleri, que arrebatou a torcida de cara. E jogadores medianos, regulares, como Mena, Kelvin, fecharam o elenco. Limitados foram negociados.

Claro, acima de todos eles, a liderança de Lugano, a mais festejada contratação, para mudar a apatia que feriu a honra tricolor.

Também a base tem feito bonito nos campos nacionais e estrangeiros, conquistando títulos importantes, como Copa do Brasil e Libertadores sub-20.

No comando de futebol desta velha-nova fase (sim, afinal, já eram homens de Juvenal Juvêncio e Aidar), estão Gustavo Vieira de Oliveira e Ataíde Gil Guerreiro.

Vale a lembrança que a estes nomes de contratações citados, Thiago Mendes e Michel Bastos merecem destaque também, pela dupla Ataíde/Gustavo.

Tudo parecia realmente melhor, mas aí veio o primeiro clássico.

Na sequência, o primeiro jogo da fase de grupos da Libertadores.

Duas derrotas. Uma, autêntico vexame. Vergonha total!

Eis que devemos cutucar a ferida, para realmente saber se existe cicatrização dos males recentes. E não, ainda não há. O SPFC não está cicatrizado.

Não tenho posição política atual, nem sou sócio do clube para isso, apenas, como muitos nostálgicos dos anos 80, apoiei Aidar nas eleições, sedento pelo retorno de times maravilhosos, que sua gestão montou entre os anos de 1984 a 1988.

Com o perdão da expressão, caí do cavalo. Após uma ilusão de evolução em 2014, o tombo no ano seguinte.

A minha parte fiz, o que apoiei, cobrei e exigi renúncia (inclusive em carta aberta aqui neste blog). Mas, como bem disse, o olhar é para o presente e para o futuro.

Presente incerto, futuro que preocupa.

Comecemos falando brevemente de gestão, para logo mais entrar de sola no futebol.

Leco chegou com proposta de pacificação e por ser oriundo da era JJ, teve muita força política pra isso. Afinal, os homens do saudoso Juvenal Juvêncio ainda dominam completamente o conselho são-paulino.

Porém, Leco rejeitou a profissionalização, tão fundamental para o clube e, assumindo mais uma temporada de administração com pilares amadores (estatutariamente) o SPFC perderá mais um ano de sua história, em relação à evolução absolutamente necessária em sua gestão.

Mais do que isso, perderá muito dinheiro e ficará, novamente, atrás dos seus rivais da capital paulista, em receitas, ao final deste ciclo. Por parar no tempo e por vozes favoráveis a profissionalização, serem minoria no Morumbi.

Ah as carteiradas do poder…

A política ainda fervilha com investigações internas, para selar o destino de Aidar e Ataíde. O desfecho virá em breve.

Aidar se tornou passado, a coletividade tricolor agradece mas, Ataíde ainda é presente.

Não sei se ocorrerá “pizza” ou não, o que sei, é que Ataíde Gil Guerreiro jamais poderia ter sido mantido na vice-presidência de futebol, sendo objeto de um processo interno. Pelo menos, até sua resolução final, tinha que estar afastado. É o que a ética, minimamente, exigiria.

Enfim, permaneceu e com isso não honrou suas palavras de saída do cargo, por metas não cumpridas.

Um histórico de erros que superaram os acertos, que podem ser comprovados pelas suas próprias palavras.

Ataíde dizia que o futebol que comandava era uma “ilha blindada”e que não existia intervenção política. Assistimos que não foi assim.

Ataíde desmereceu a torcida do São Paulo, em declaração extremamente infeliz, sobre ingressos caros e ida ao estádio.

Ataíde ficou com obsessão por um zagueiro canhoto, demonstrando um desconhecimento inacreditável para a função. Para um zagueiro jogar pelo lado esquerdo, não precisa ter o pé esquerdo como o bom! Era só conhecer a história das zagas lendárias do Tricolor.

Ataíde negou Lugano, quando as condições eram muito mais favoráveis e, por mais que se diga que quem não quis foi o técnico Osorio, o colombiano não tinha obrigação de conhecer a mística do uruguaio no Tricolor. Ataide tinha o dever de informá-lo e exercer seu comando de última palavra.

Em 2016…

O São Paulo tomou 31 gols clássicos em 2015, marca negativa recordista, em 86 anos de história.

Aí já é hora de questionar Gustavo, ao lado de Ataíde.

O gerente, que tem seu alto salário mais bonificação contestado por muitos, inclusive, por este que vos escreve, teve um planejamento errado de zaga, em conjunto com o VP de futebol.

Trazer Lugano, sem considerar as variáveis físicas de declínio das últimas 4 temporadas do ídolo, somado ao problemático Breno, esperança que ainda se ressente de lesões seguidas pelo período afastado do futebol, sem uma reposição confiável, foi um grande erro no planejamento da equipe.

Rodrigo Caio, tido como o zagueiro mais técnico do time, precisa ter um xerife do lado, senão se torna presa fácil, pela sua característica (física e técnica) de não impor temor e pior, contando apenas com zagueiros inexperientes ao lado.

Impressiona como o Tricolor não tem líderes de linha, falta malandragem. Imposição. Hashtag de rede social #JuntosSomosMaisFortes não assusta ninguém. É risível, vira chacota.

Lucão foi a prova no final de 2015 e começo de 2016. Fatalista, despreparado para a pressão, entregou o time em momentos que o são-paulino vai demorar pra esquecer. Mas, independente da limitação evidente do zagueiro, não atirarei ainda mais pedras, além das quais já recebeu.

Acima de tudo e por incrível que pareça, Lucão foi também vítima desse planejamento errôneo, para não dizer, tosco, da diretoria. Porque nele foi depositada uma carga de responsabilidade pelo vice-presidente, desde a temporada passada. Abrindo mão de contratações pra isso.

Aí o desespero bateu na porta e como já fizeram com Luiz Eduardo em 2015, zagueiro trazido de série D, foram buscar às pressas o defensor Maicon, ex-Porto. Vamos torcer para dar certo mas já alertamos que é outro caso como Doria, com contrato curto e que deixará o SPFC na mão no segundo semestre.

Então chega a questão da grana, do cacau. A diretoria alega que o dinheiro para contratar era curto, que foram feitas tentativas que não deram resultado.

Fica tudo por isso mesmo?

Pera lá…

No meio da turbulência mais apavorante que vivia, a Brand Finance, uma das mais conceituadas consultorias do planeta, conferiu ao São Paulo o título da “marca mais valiosa das Américas”. Entre aspas, porque assim foi noticiado no site oficial.

Por favor, pense comigo leitor, como a marca mais valiosa das Américas não consegue ter dinheiro para contratar um zagueiro?!

E não estamos falando de craques consagrados, de jogadores muito caros, inviáveis. Defensores, por si só, já valem menos que atletas de meio-ataque. O mercado era o sul-americano, onde o futebol argentino, uruguaio, colombiano, paga muito menos que o futebol brasileiro. Só insucessos.

Aí o círculo vicioso volta à falta de profissionalismo e gestão por meritocracia de funções. Se o dinheiro é curto, entra o marketing! Nada foi feito para um plano de ação. O departamento de Vinicius Pinotti (que tanto tem feito por amor ao clube) e Manssur tem méritos mas não pode ser tratado também como política. Precisa ser totalmente profissional, meritocrático, técnico. Agressivo, atuante, digno de uma camisa trimundial!

A defesa ficou exposta. A torcida não sabe o que esperar, pois segue refém da condição física ainda incerta das suas maiores esperanças.

A Libertadores já começou trágica, não sabemos como terminará. Mas assusta o nível de falta de identidade com a tradição tricolor!

Ao São Paulo, restará mais um ano de superação e força da camisa. O futebol é dinâmico e podem haver surpresas positivas.

Mas, definitivamente, não por um planejamento profissional e boleiro.

Aliás, superintendente ex-ídolo, do ramo, é tabu no Morumbi!

A batida segue no amadorismo dos seus cartolas…

Até quando?!

 

Saudações Tricolores.

Carlos Port

Opinião Tricolor

A morte dos clássicos paulistas. Definitivamente.

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Olá nação tricolor!

Em 2009, escrevi uma coluna que o grande jornalista Marcello Lima publicou em seu blog: https://marcellolima.wordpress.com/2009/02/06/a-morte-dos-classicos-paulistas-por-carlos-port/.

Entitulada “A morte dos clássicos paulistas”, tratava da então decisão do SPFC, em destinar apenas 10% de carga visitante aos rivais, nos clássicos do Morumbi. Medida até que tardia, por décadas que o Tricolor abriu portas em igualdade, mas recebi tratamento desigual no Pacaembu, Parque Antártica e Vila Belmiro.

Pois bem, chegamos em 2016. Anos após, a cidade de SP agora conta com o maior estádio de todos, o tradicional Morumbi, ao lado de duas novas arenas, uma financiada com dinheiro público, outra com parceria de empreiteira.

Todos, então, tem “casa”. Mas só uma está paga.

Porém, a questão principal não é cutucar nenhum rival, mas lamentar a realidade do final dos clássicos, envolvendo São Paulo, Corinthians, Palmeiras e até, o Santos.

Os nostálgicos vão se lembrar dos clássicos nas cordas. Torcida que ia mais, ficava com maior parte do estádio. Na grande maioria das vezes, Morumbi dividido ao meio. E ponto final.

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Corintianos dominavam nas finais contra o São Paulo, mas chegaram a ser minoria também, exemplos dos jogos decisivos de 1987 e 1991 (foto acima). Nos anos 70 e 80, São Paulo x Palmeiras “rachavam” o Morumbi mas, pós a explosão da torcida tricolor nos anos 90 do bimundial, o clássico foi totalmente dominado pelo Tricolor. Chegou a ocorrer um 9 “gomos” a 3 para o SPFC, em 2002. Já diante do Santos, 122.000 estiveram presentes na final de 1980. Outras 70.000 na final de 2000. Com a torcida santista sempre menor, mas em grande número também.

O fato é, torcida maior, menor ou igual em um determinado jogo, era decidido pelo momento! Assim, grandes massas acompanhavam seus times, no Maracanã dos paulistas, o Morumbi.

Quando o São Paulo fez justiça ao limitar 10% aos rivais no Morumbi, igualando tratamento que recebia nos jogos contra os grandes fora dos seus domínios, o futebol paulista passou a ter uma mudança no conceito de “clássico”, pelo quesito torcida.

Consolidado de vez com o Itaquerão e Allianz Parque.

Hoje, um clássico paulista é ditado pelo mandante, que sempre será o favorito no ambiente de sua torcida. Salvo quando times forem extremamente desproporcionais tecnicamente.

Atualmente, quando Corinthians e Palmeiras jogam contra o São Paulo no Morumbi, é como se estivessem jogando fora contra times do RJ, MG ou RS. E vice-versa.

É essa a atmosfera das arquibancadas, decretando a morte dos clássicos, no tocante ao “jogo” das torcidas.

Quem dera o Morumbi pudesse ainda estar dividido, com bandeiras e tudo mais que a festa do futebol já viveu. Mas, pra isso, Itaquera e Allianz também deveriam, obrigatoriamente, rachar as suas casas para o rival.

Utopia pura.

Enfim, quem viveu, viveu.

RIP, clássicos paulistas.

 

Carlos Port

Opinião Tricolor

O sonho do Corinthians é ser o São Paulo

Pra começar…

Bicampeão do planeta bola, com apenas um título continental, é conta de quem não passou na escola.

Na marginal sem número, só conheciam torneio de verão. Chancela da Fifa? Piada. A própria entidade já reconheceu que errou naquele formato. Segue “oficial” por falta de vergonha na cara da entidade que tem vários de seus membros máximos, investigados por corrupção.

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Não sabiam, portanto, o que era campeonato mundial de verdade, até dezembro de 2012. Venceram enfim uma final correta e já se rotularam bicampeões, no maior estilo Sveitão, amparados pela versão experimental da Fifa, onde levaram um troféu mequetrefe sem derrotar um europeu, dentro do país e o pior, na condição de convidado sem passaporte.

Como trombadinhas pés de chinelo.

É preciso ser representante legítimo, conquistado por direito fundamental de ter vencido o continente primeiro, pra ser campeão mundial. Ponto final.

Atualmente, o SCCP tem Libertadores e o primeiro mundial. Entrou no clube de Flamengo mundialmente, Palmeiras e Vasco no continente. Sonha estar no clube de Cruzeiro, Grêmio e Inter, os bicampeões da América.

Mas segue anos-luz do clube de São Paulo e Santos, os únicos tricampeões continentais.

Toda essa ânsia insana em querer comparar as primeiras conquistas corintianas com os feitos são-paulinos reconhecidos pelo mundo, somente comprovam o sonho alvinegro, de ser tricolor.

2011. A sequência de 11 jogos de invencibilidade corintiana, foi derrubada implacavelmente, pelo centésimo gol de Rogério Ceni.

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Tinha que ser no clássico o gol histórico do Mito, para trazer à tona algumas verdades.

Por exemplo: o fim da série alvi-negra reestabeleceu a ordem, quanto ao maior tabu da história, que pertence igualmente ao Tricolor diante do rival alvinegro: 14 partidas e 5 técnicos demitidos no parque São Jorge. 2003 a 2007, o maior tabu do Majestoso até hoje. O SCCP tem um idêntico entre 1975 e 1979, mas sem tantos estragos na linha de treinadores mandados embora.

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Histórico, o tabu dos 14 jogos (contando o jogo anulado indevidamente) mereceu até choro do jogador que marcou o gol que findou a escrita, mas nem assim, evitou o rebaixamento naquele ano de 2007, do time da marginal s/n.

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Por falar em rebaixado, vale sempre lembrar que, em 2004, o SPFC salvou o Corinthians da segunda divisão paulista, derrotando o Juventus. Um ato de compaixão.

Contra o Tricolor, o Corinthians joga sempre como se disputasse o jogo da vida, mesmo, não reconhecendo isso. Tentam disfarçar e desfazer. Dizer que o rival é outro, o porco, aliás, mais unidos do que nunca, contra o SPFC.

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Romeu e Julieta encampam campanhas contra o Morumbi, destinam maiores cotas de ingressos uns aos outros nos clássicos, já fizeram até camisas juntos, com os nomes do rival estampados na manga. Quanto amor…

O Tricolor do Morumbi, por sua vez, não precisa de ninguém, não vende sua camisa.

É hexa conquistado no campo, na técnica e na raça.

Sem asteriscos, sem manchas.

Asteriscos como do campeonato brasileiro de 2005, do torneio de verão 2000.

A supremacia tricolor é comprovada sobre qualquer rival nacional, mais especificamente, em relação ao time que somente após 102 anos de vida, enfim teve um título internacional de credibilidade.

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12 títulos internacionais a 4, é o placar. Com boa vontade, dando um desconto para o Mundialito.

Em muitos momentos, o são-paulino até reconhece, despreza o time da marginal sem número, que ganhou estádio com o dinheiro do povo.

Realmente, o poder do time do governo não está de brincadeira.

Ajuda a combater a inveja.

Inveja que consome, quando se lembram do cinqüentenário e pujante estádio são-paulino, um dos maiores particulares do mundo. Ah, se não fosse o Morumbi, o que seria de 1977…

Quando perdem, transformam cada derrota em desespero.

Portas fechadas, treinadores demitidos. Nenhum clássico brasileiro ou mundial representou tanta queda de técnicos quanto SPFC x Corinthians. 14 vezes na história.

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Um recorde absoluto de desespero em perder para o rival.

O sonho do Corinthians é ser o São Paulo.

É ter um estádio como o Morumbi sem depender da política rasa, é ser tri do mundo legítimo, ser tri da Libertadores, ser o maior campeão brasileiro sem canetada de unificação ou com asteriscos.

Não adianta disfarçar a inveja.

Por tudo isso, o retrospecto de jogos na história até se justifica. Levam vantagem nos Majestosos, mas não esquecem os títulos perdidos de 1957, 1991, 1998.

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Em 2015, comemoraram um 6 a 1 na arena do governo, como se fosse a primeira vez. Lamento, o São Paulo já havia vencido pelo mesmo placar, nos primeiros anos de sua fundação.

2016, goleada devolvida com massacre e olé. 4 a 0.

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Eles dizem: confronto direto favorável. Ainda mais, quando o juiz ajuda decisivamente. O famoso apito amigo. Assim foram em fases decisivas dos Paulistas de 1988 e 1993.

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Mas, atenção imprensa gambá, o retrospecto correto, ao final de 2016, aponta 328 jogos (dados da Conmebol, CBF e FPF), com 123 vitórias do Corinthians, 103 empates e 102 vitórias do São Paulo. Quando vão parar de diminuir as vitórias do Tricolor nas redações alvi-negras? Coisa feia, mentir de forma deslavada.

Por tudo isso, contra o São Paulo, o Corinthians realmente se supera. Porque nada como vencer, quem mais queriam ser.

Porém…

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