Rogério Ceni: começo, meio e fim

M1to

Agora é pra valer.

2015 é o final de uma era.

Um quarto de século.

07 de setembro de 1990. Dezembro de 2015.

Não vou narrar mais uma biografia de Rogério. Está no brilhante livro Maioridade Penal, de André Plihal, está em tantos sites tricolores. Tem dados no Wikipedia, tem estatísticas, recordes e feitos em todos os lugares, onde o futebol é amado.

Vou narrar o São Paulo, antes, durante e depois de Ceni. Para que todos percebam, o quanto o goleiro incorpora o que representa o Tricolor paulista.

Século XX, década de 30. O Tricolor nasceu ambicioso, campeão. Em dificuldades, se reergueu ainda nos primeiros anos de vida. Surgia o Clube da Fé.

Ceni também tem fé.

A moeda caiu em pé. O Rolo Compressor dominou. Anos 40. Imposição sobre os rivais estaduais.

Ceni também arrebentou os rivais, em títulos, classificações, gols. Até o centésimo foi em clássico.

“Se é pra sonhar, que seja grande”. O advento do Morumbi. Títulos rarearam nos anos 50, sumiram nos 60. Mas o gigante era levantado, com suor e sangue tricolor.

Ceni também conviveu com as vacas magras, na reforma do Cícero Pompeu de Toledo.

Pós 1970. O portentoso estádio, enfim, concluído. Começaria um novo domínio, que se constituiria predomínio.

Ceni também teve no Morumbi, a sua supremacia. Recordes imbatíveis, de jogos, tarjas de capitão, taças, glórias.

Máquina Tricolor nos anos 80. Geração Menudos do Morumbi.

Ceni também conviveu com craques consagrados e jovens ídolos.

Os 90. Era do Mestre, Telê Santana. Tempo do Rei Raí, o terror do Morumbi.

Ceni também trabalhou com Telê e teve em seu discípulo, Muricy, o maior parceiro de títulos. Viu Raí na sombra de Zetti, se tornou o 10 ao contrário. O 01.

Os Brasileiros, a Libertadores, o Mundial. Tudo no novo século, com um mito sendo a muralha que defende o território e destroi o gol adversário.

Ceni também teve sua marca, no 6-3-3 tricolor. Titular do gol, foi 3-1-1.

Quantos clubes em suas sagas, por mais campeões que já tenham sido, invejam a façanha de um mítico goleiro, por não conseguirem superá-lo.

Porém, foi no São Paulo, o maior clube brasileiro, que despontou o maior goleiro artilheiro.

Começo, meio e fim.

Tudo na vida tem ascensão, ápice e declínio.

No caso de Rogério Ceni, o declínio não faz mal, até porque, encerrará a carreira ainda em alto nível.

Milagres e falhas, todos os estupendos do gol tiveram em suas carreiras. O único que não erra, está acima de nós. Certamente, batendo palmas para um dos seus santos: Santo Paulo.

Portanto, quanto tudo terminar, restará nostalgia, saudade, vazio.

Porém, maior do que tudo isso, terá a eternidade, daquele que escreveu para sempre, seu nome na história.

Gravado na memória e no sangue vermelho, branco e preto, das veias de milhões de são-paulinos.

Perdoem, rivais, nenhum ídolo de você chegou perto disso. Jamais entenderão, do que estamos falando aqui.

Saudações tricolores e muito obrigado, Rogério Mücke Ceni.

De pais, filhos e netos, da nação tricolor.

 

Carlos Port

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