Morumbi x Itaquerão: derrubando a lenda fiel

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Olá!

Dessa vez a saudação não é somente pra nação tricolor, certamente, outra torcida lerá em peso esta coluna do blog. Indignada, porque a verdade incomoda, quando não seguidora do que diz “a grande mídia”.

Em 10 pontos, vou desmistificar aqui a lenda fiel (mais uma vez, pois já havia feito comparativos em outros Campeonatos Brasileiros) mas agora, vale o fator Itaquerão (arena Corinthians nada, é Itaquerão mesmo, o estádio está longe de ser pago e enquanto for do nosso dinheiro, tem que aguentar sem reclamar).

Vamos ao que interessa:

A torcida do Corinthians não é esse fenômeno diferenciado no estado de SP, que a mídia tanto alardeia. Faz isso por interesses claros, dirigidos: Lucro.

Lucro em pagar (muito) mais pra um, do que pagar pra quatro. Os quatro grandes do estado. Lógico que a cota de TV do Corinthians deve ser maior, em razão de possuir a maior torcida, mas não na proporcionalidade absurda que a detentora de direitos do campeonato faz, visando a espanholização do futebol no país. Alvinegros em SP, rubro-negros no Brasil. Se é possível pagar pesado apenas pra 2 grandes, o lucro global fica astronômico.

Analisemos as estatísticas, comparativamente, entre São Paulo x Corinthians, para elucidar melhor estes argumentos. Em 10 pontos:

1) Corinthians x São Paulo terminaram em empate técnico, na média de público pagante do Brasileirão 2014. O time do Parque São Jorge, melhor dizendo, Itaquera agora, teve média de 28.960. O time do Morumbi, 28.544. Apenas 416 torcedores de diferença, por jogo. Menos de 10 ônibus. Pra quem diz que é a maior torcida disparada, algo errado já começa aí….

2) Claro que a torcida do Corinthians é a maior, ninguém ousa discutir isso. Clube mais antigo, duas décadas a mais acumulando gerações de torcedores. O foco não é esse. O foco é o dimensionamento desse “maior”. Os institutos oficiais estimam que são-paulinos somados a palmeirenses, seriam mais ou menos equivalentes, à torcida corintiana. Eu duvido por A + B, provado em números ao longo das últimas 3 décadas, desde a explosão da torcida do São Paulo, pós-era Telê Santana.

3) Voltemos ao Brasileirão 2014. Muitos terão a resposta pronta: a média de público empatou, mas a média de renda o Corinthians foi muito superior ao São Paulo. Fato! Porém, não somente ao São Paulo, mas ao futebol brasileiro todo. O Corinthians teve os seguintes dados de renda, média, renda total e número de jogos:

R$1.085.239,26 R$20.619.545,96 19

O dobro do que os demais times, em valores aproximados.

Eis o São Paulo:

R$435.356,24 R$8.271.768,49 19

Grêmio e Inter, em segundo e terceiro lugares no ranking, tiveram médias de renda em torno de R$ 550 mil, motivadas por suas arenas novas.

Logo após, aparecem São Paulo e Palmeiras, com médias girando acima de R$ 430 mil (o SEP alcançará mais de meio milhão por jogo, na última rodada da luta contra o rebaixamento).

4) O que esses números mostram? Que os times com arenas novas, tem contas altas a pagar. E as transferiram ao torcedor, obviamente. Portanto, maiores rendas não significam maiores públicos e sim, dívidas gigantescas em razão de estádios novos.

5) O ticket médio do Itaquerão foi de R$37,00, considerando média de renda e média de público. O ticket do Morumbi, R$15,00. Aí muitos dirão “por isso empataram em torcida no campeonato”. Sem dúvida, o ingresso mais barato impulsiona o torcedor, mas o Morumbi segue desfavorecido por não possuir metrô x interligação de trem para a torcida do São Paulo e não é localizado em região central, o que faz com que o são-paulino gaste muito mais pra ir pro estádio, do que qualquer rival.

6) Fato é que o fator “novidade” fez com que esse valor de ingresso se bancasse no Itaquerão, para transferir parte do pagamento de contas da arena. Mas se é mesmo o “time do povo”, o Corinthians não terá como manter esse valor de ingresso, nas próximas temporadas. Itaquera, apesar de longe, é foco de massa do torcedor corintiano, que domina na Zona Leste. Tem metrô na porta, muitas linhas coletivas, conjunto habitacional gigantesco do lado. Só que não é torcedor de poder aquisitivo de ingresso caro. Já o Sócio Torcedor é da cidade toda e pode se cansar de atravessar a caótica São Paulo, para ir aos jogos. Mesmo de metrô, pois é um outro perfil de torcedor que mantém o ST, em valores elevados. Duvida? Se fosse é corintiano da Zona Sul, Norte ou Oeste e está lendo esta coluna, sabe que é verdade. Um jogo em Itaquera 22h, pra voltar meia-noite, atravessando SP. Tranquilo? Viável como rotina? Sabemos que não.

7) Entra em cena agora a capacidade do estádio. Alguns dirão: mas o Corinthians lotou mais a arena de Itaquera do que o São Paulo lotou o Morumbi. Balela. Primeiro, que salvo ligas alemãs ou espanholas, nenhum time brasileiro teria força pra 68 mil torcedores por jogo, capacidade atual do Morumbi. Segundo, nem nos tempos de Pacaembu, o Corinthians tinha capacidade de estádio tomada. Terceiro, o Itaquerão hoje pode receber 48 mil. 28 mil de média prova que não é o tamanho do estádio que fez e faz a diferença.

8) Aí entra a TV. Grande aliada do SCCP no direcionamento de torcidas, na programação diária e transmissão de jogos. Nem assim, foi capaz de transformar a arena nova, em casa cheia, em estádio lotado. O fato é: Corinthians e São Paulo terminaram na mesma casa de público, 28 mil e “quebrados”. O resto, é factóide sensacionalista por cota de patrocínio.

9) Patrocínio, aliás, que assusta o investidor, quando o assunto é “naming rights”. O estádio da Copa, pago pelo governo, ainda não tem. Se fosse um fenômeno de público, já teria.

10) Nós, são-paulinos, seguimos orgulhosos do bom e velho Morumbi. Pago pela coletividade tricolor, em quase duas décadas de construção e 13 anos de fila. Suor e sangue são-paulinos, muito sacrifício para as glórias são-paulinas que vieram após. E mais, sem egoísmos. Pois o São Paulo ofereceu sua casa, pra ser o Maracanã dos paulistas, sem nada receber por isso. Mas paga pelo desgaste do estádio, que todos usaram em seus principais jogos, nos últimos 40 anos.

Corinthians, o time do povo, com 28 mil de média?

Prazer, São Paulo, 28 mil também.

Saudações Tricolores.

Fontes: Globo Esporte – Média de público do Brasileirão, Sr. Goool e estatísticas levantadas pelo autor.

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Valeu Kaka, obrigado M1to

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Olá nação tricolor!

No Brasileirão de 2014, o São Paulo bateu o seu recorde de público total de todas as edições do campeonato. Nos jogos como mandante, foram 543.826 presentes em casa. Parabéns a todos que fizeram parte disso e claro, aos são-paulinos de todo Brasil, que representaram demais nos jogos fora!

Na renovação de Ceni e despedida de Kaka, tivemos uma emocionante partida no Morumbi. Pelo jogo? Não, a partida foi apenas morna, daquelas de cumprir tabela. Mas pelo que representam esses dois personagens exemplares, para o Tricolor e para o planeta bola.

Ceni ampliará ainda mais sua condição de M1to, aquele que mais vestirá o mesmo manto na carreira em todos os tempos, superou Pelé e abriu larga vantagem. O São Paulo tem um ícone mundial.

Kaka, ao contrário, nunca teve todo o tempo que gostaria, mas no período que esteve no Morumbi, entre juventude e experiência, encontrou redenção nos braços da torcida.

Quem foi ao Morumbi, sabia que o título não era mais possível e que a Libertadores já estava assegurada. Mas foi por amor. E pra reverenciar esses caras.

Fui um desses, com minha família. Não analisarei o jogo técnica ou taticamente, apenas direi:

Obrigado M1to, obrigado Kaka!

E parabéns Muricy, por mais um ano de vida! Muita luz em seus caminhos, para poder conduzir o São Paulo da forma que a torcida espera.

Registro: foi o sexto vice-campeonato brasileiro do São Paulo, além dos 6 títulos. Sem nunca ser rebaixado. Em 12 edições, primeiro ou segundo. Quer comparar rival?

Saudações Tricolores!

Crédito-Imagem: Twitter oficial @SaoPauloFC

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