10 motivos para o SPFC pensar no técnico gringo

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Olá nação tricolor!

Em 2014, diante do pronunciamento do presidente Aidar, sobre a possibilidade do SPFC buscar um técnico estrangeiro, caso Muricy Ramalho fosse o escolhido da CBF, faço considerações, separando a idolatria ao técnico que é símbolo pra torcida, com a realidade do futebol tricolor e brasileiro.

1) Muricy tem toda gratidão e sentimento dos são-paulinos. O que fez e faz, enquanto jogador e treinador, não se esquece. Tri-brasileiro, único na história do futebol nacional, depois, um dos alicerces (mas não o único) da reação do Brasileirão 2013. Mas ter um ídolo, não significa morrer abraçado em suas convicções de teimosia e limitações táticas e comportamentais. Ramalho é hoje mais um técnico do PASSADO. Não existem técnicos atualizados com o que ocorre no mundo, no Brasil.

2) Futebol é EVOLUÇÃO constante. Em um primeiro momento, existia o 4-3-3, com dupla de zaga, laterais, volante, meia direita, meia esquerda, pontas e centroavante. Depois veio o tempo do líbero pra mudar isso, o chamado 3-5-2. Após, os 2 volantes no 4-4-2. Comentaristas inventaram o 4-2-3-1. Particularmente, não gosto de nomeações táticas com 4 setores. Futebol é defesa, meio e ataque. Simples assim. Mas a questão não é o sistema de jogo. É a metodologia científica que se aplica a ele. Sim, futebol hoje é CIÊNCIA e nenhum técnico brasileiro tem a capacidade de lidar com ela.

3) A Alemanha que conquistou o mundo ensinou ao futebol brasileiro, como o país tem TÉCNICOS DEFASADOS. O problema não é o celeiro, é o cuidado do mesmo. Os alemães demonstraram o futebol tratado com detalhes técnicos primorosos, aplicativos tecnológicos de desempenho de cada atleta e dos adversários, fundamentos técnicos de chutes, passes, cruzamentos, cabeceios, tudo mapeado. Não é só treinar, é melhorar o potencial de cada atleta.

4) O São Paulo tem a maior estrutura de base do Brasil, mas a sub-utiliza! Não adianta ter a fazenda, se falta o cuidado com a terra. No caso do Tricolor, não adianta ter o CFA de Cotia, se não existe a gestão técnica eficaz do mesmo. O treinador do SPFC tem OBRIGAÇÃO de valorizar a base e fazê-la parte do time, constantemente! Muricy não faz isso, com a intensidade que deveria. Mais do que isso, parece querer afrontar.

5) O ditado popular diz “errar é humano, insistir no erro é burrice”. Não faltaram oportunidades para Muricy corrigir seus erros. Insistências e teimosias o acompanham ao longo do ano. Quando questionado sobre certo jogador que a torcida questiona, rebate que “enquanto eu estiver aqui, fulano joga”. Reação chucra e que demonstra protecionismo dentro do coletivo. Isso é péssimo.

6) Futebol é preciso DINAMISMO. Não é possível tamanha letargia em se mudar um time, diante de uma adversidade. Muricy demora demais pra alterar o SPFC e via de regra, muda mal. Aguardar os 30, 35 do segundo tempo para substituições necessárias desde o intervalo, é costumeiro e irritante.

7) Jogadas ensaiadas. Alguém conhece alguma do São Paulo?

8) O Tricolor tem um dos elencos mais caros e valorizados do futebol brasileiro. Mas não existe padrão de jogo para esses jogadores. Uma série de bons jogadores, que não tem uma noção exata do que precisam fazer em campo, posições definidas e versatilidade para mudá-las.

9) “Aqui é trabalho, meu filho”. Chavão bonito, mas que não representa a modernidade e a vanguarda que o São Paulo precisa voltar a ter. Existe a estrutura, existem os jogadores, mas falta quem faça a engrenagem funcionar harmonicamente. Muricy tem muitas virtudes, consegue superar limites, tirar o chamado leite de pedra, afinal, todos conhecem os jogadores limitados que o Tricolor possui, ao lado dos bons. Porém, ficou no tempo, como todo treinador brasileiro.

10) Ufanistas dizem: “somos o país do futebol”. E somos mesmo, aqui existe a dádiva de nascer sabendo, tá no sangue do brasileiro jogar bola. Mas isso não significa que não é necessário aprimorar sempre. Ser mais inteligente, estudar o esporte para aperfeiçoá-lo. Porque Telê Santana foi lendário? Porque fazia, nos anos 90, o que os alemães fazem no século XXI. Mestre Telê extraía o máximo de cada atleta, os tornando máquinas de jogar futebol. Isso morreu. Atletas e suas chuteiras multicoloridas, que acham que sabem tudo. E treinadores que não sabem evoluir um jogador, usando a tecnologia pra isso. Falta inteligência mútua, entre atletas e técnicos. Tanto é verdade que, se o Brasil tivesse técnicos de capacidade, os exportaria, assim como faz com jogadores. Mas os gringos conhecem as limitações dos treinadores brasileiros…

Resgate histórico: Vale lembrar que o SPFC tem trajetória de sucesso com técnicos estrangeiros, notadamente, Poy e o genial Béla Guttmann, que na segunda metade dos anos 50, revolucionou o futebol brasileiro, com os conceitos da Hungria de 54. Com Zizinho de maestro, Guttmann foi uma lenda tricolor, depois de títulos conquistados no Milan e Peñarol, a final histórica de 1957, derrubando o Corinthians, 3 a 1, no Pacaembu lotado.

Saudações Tricolores.

Crédito-imagem: Rubens Chiri, site oficial.

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As lições da Copa. Uma pra cada estrela.

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Olá!

Mais uma vez, abro uma exceção pra falar de seleção brasileira, aqui no blog.

Por uma simples razão, é o futebol brasileiro, reflexo do São Paulo e de todos os times nacionais.

A derrocada humilhante na Copa do Mundo foi terrível para o torcedor brasileiro. Que não é nacionalista fervoroso, não tem esse histórico enquanto formação de povo, mas ama absolutamente o futebol. De um jeito único. Principalmente, como alento de vida sofrida, em um país ainda tão miserável.

Mas é miserável só fora das 4 linhas. Dentro de campo, o futebol brasileiro gera muita riqueza. Transações milionárias a cada temporada, fazem do esporte a independência financeira daqueles que chegam ao topo, por 2 a 3 gerações futuras, de suas respectivas famílias.

A análise sociológica do que isso representa entre time e povo, demanda verdadeiro seminário com especialistas. Nossa humilde pretensão aqui é somente falar de futebol.

Portanto, vou tentar em 5 pontos, analisar o futebol brasileiro, cada ponto referente a uma estrela das cinco, que constituem o (ainda) único Penta nas Copas. Vamos lá:

1) Gestão CBF: o Brasil sofre no futebol, o que sofre na administração do próprio país. Descalabro. Incapacidade de comando, corrupção, impunidade, perpetuação de poder, centralização. São décadas de desmandos da CBF, sem que os clubes tenham força e autonomia conjunta, para enfrentar o problema. Tentaram com o Clube dos 13, mas a ganância de dirigentes e rivalidades menores, impediram o bem maior. Não há perspectivas de mudança.

2) Gestão dos clubes: no Brasil, os times de futebol, que rendem centenas de milhões de dólares, ainda são, inacreditavelmente, extensões dos seus clubes poliesportivos. Pelo mundo, as maiores agremiações do planeta bola já profissionalizaram os seus comandos, de uma forma conceitual que, entendo eu, jamais teria guarida aqui: donos. Potências do futebol inglês, italiano e alemão, tem donos (entenda-se) conglomerados milionários, proprietários ou acionistas. Ou quando são sujeitos ainda aos conceitos de conselhos de administração de suas equipes, estão diante da lei. Vejam a campeã italiana Juventus, que teve que cumprir segunda divisão. Ou o presidente do Bayern, atual campeão do mundo, preso por lesas o Fisco alemão. Será que os torcedores brasileiros aceitariam fortunas comprando seus times, como fazem os sheiks, milionários das oligarquias russas etc? Eis o ponto de interrogação.

3) Lei Pelé: vivemos o colonialismo no futebol. Explico: quando o Brasil foi descoberto, os colonizadores tiravam a matéria-prima do país quase de graça, pra manufaturar e vender caro lá fora. Com o futebol, não é mera coincidência. E a nova legislação brasileira, que acabou com o passe (que era sim, uma exploração) criou outra distorção: o poder de jogadores e empresários, acima dos times que os revelam. Seria preciso um meio-termo nesta equação, ou seja, jogadores formados no Brasil deveriam por lei, ter um período de permanência no futebol brasileiro, notadamente, com preferência de negociação ao seu clube formador. Não venham com argumentos que isso seria privar liberdade, porque existem valores totalmente invertidos por esses jovens que saem da pobreza, o clube dá formação, escola, alimento, moradia, prepara pra profissão e então, é descartado pela ingratidão e avidez de empresários, que não participam do processo de formação, mas influenciam decisivamente na saída dos atletas. Uma idade mínima deveria ser o ponto de equilíbrio entre o clube que forma e a transferência internacional. Teríamos assim, muitos craques no país, amadurecendo, gerando riqueza própria e para os clubes que neles investem por anos. Sem o êxodo prematuro, os campeonatos nacionais seriam muito mais fortes, com ídolos mantidos, o que significa maiores públicos, mais receita, grandes patrocinadores. Mas o cartola que ganha o seu % em negociações (sim, eles existem), os agentes e claro, a UEFA, que não quer perder o preço de banana dos jovens brasileiros, são obstáculos.

4) Educação: o futebol do passado, baseado em ginga, dribles, espaço pra jogar bola, morreu. Hoje é necessário conhecimento tático, além do técnico. É preciso inteligência, além do porte atlético. Culturamente, a maioria dos nossos jogadores é limitada. Isso prejudica, notadamente, noções táticas de futebol avançadas. Com isso, seguem os times jogando com conceitos de beabá.

5) Treinamento: outro erro conceitual grave do futebol brasileiro. A idéia eterna que nascemos sabendo. Que aqui é o país do futebol e por isso, não é necessário treinar sempre, aperfeiçoar incessantemente. Os jogadores, mesmo quando antes de suas transferências internacionais, ganham muito dinheiro aqui. Deveriam, portanto, treinar muito mais do que fazem. Não digo correr, fazer coletivos, rachões, algumas jogadas ensaiadas. Digo fundamentos do futebol! Chute, passe, cabeceio, cruzamento. Inadmissível assistir os campeonatos pelo Brasil, onde os jogadores de grandes times ganham dezenas, centenas de milhares de reais por mês, mas não sabem passar, cruzar, chutar com eficácia e precisão. Isso é pura e tão somente, treinamento! Vide o sucesso do incansável Rogério Ceni, como uma das poucas exceções, um goleiro mestre em faltas. Não nasceu sabendo. Treinou milhares de faltas, até o primeiro gol. Vide novamente, o sucesso do futebol alemão. Não possuem aquela “malandragem”, aquela “malemolência”, mas aprimoram a cada dia, os fundamentos do esporte. Desde as categorias de base, até o profissional.

É isso.

Falta gerir, seleção e clubes.

Falta lei de justiça com clubes formadores.

Falta educação e cultura.

Falta treinamento.

Ou seja, falta tudo, no país que é o maior vencedor do futebol.

Uma grande ironia do destino…

Sorte das outras seleções do planeta. E dos clubes internacionais, que seguirão sugando os nossos talentos, sem que nada possamos fazer.

Saudações pentacampeãs.

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Kaka e São Paulo: O mundo dá voltas. O filho voltou ao lar.

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Olá nação tricolor!

Aguardei a chegada de Kaka ao São Paulo, sendo recebido por nossa torcida, para enfim comentar seu breve, porém muito importante retorno, ao Tricolor.

Porque falar de Kaka, significa retratar um pedaço da imagem, do que é o próprio São Paulo: jovem, vencedor, reconhecido mundialmente, cobrado por uma torcida exigente.

Kaka surgiu para o futebol, vencendo um acidente que poderia lhe tirar a chance de jogar bola. Mais do que isso, de andar. Uma bobeira, brincadeira de piscina, quase acaba com o sonho do jovem promissor da base são-paulina. Seria uma pena, pois foram 13 anos de dedicação.

O destino é sabedor. O ano era 2001. Da superação à escalada dos juniores ao profissional. Em pouquíssimos jogos, uma incrível energia e luz naquele jovem de arranque e coragem dentro de campo. Estreou com vitória, contra o Botafogo do Rio, time que marcaria seu início de trajetória, alguns jogos depois. Era final do Rio-SP daquele ano, competição que o Tricolor nunca havia vencido. Derrota parcial no Morumbi, Kaka era reserva e entrou na última meia hora de jogo. 2 gols, virada nos 10 minutos finais. Explosão e delírio.

Daí pra frente, a carreira meteórica. Foi como revelação para a Copa de 2002, a do penta. Logo após o mundial, foi a referência do São Paulo que terminou disparado na liderança do Brasileirão daquele ano, mas que caiu no mata-mata, logo de cara, por possuir uma defesa medíocre, diante de um time que era muito bom do meio pra frente.

A torcida do Tricolor vivia uma fase de muita impaciência. Depois da era Telê de 11 títulos, entre 1991 e 1994, só o retorno de Raí em 1998 e o título estadual de 2000, alegraram os são-paulinos. Foram anos difíceis, de concorrência rival movida por co-gestões, que fizeram o clube mais vitorioso do país passar anos fora da disputa da Libertadores e sem grandes conquistas no âmbito nacional e internacional.

Kaka passou a ser visto como salvador da pátria. Foi uma carga pesada demais para um jovem, que podia até resolver na frente, mas não tinha como arrumar lá atrás. Mesmo eliminado, Kaka ganhou a Bola de Ouro do campeonato de 2002, fato raro (geralmente o ganhador é do clube campeão).

Em 2003, o ápice de cobranças. Sobrou pro garoto-craque. Mal sabiam os são-paulinos, quem estavam perdendo…

O Milan que o diga. Anos que serviram de maturidade, para o auge. Em 2007, campeão da Europa (em revanche de 2005 contra o Liverpool) e campeão mundial, atropelando o Boca Juniors com atuação esplêndida.

Kaka foi eleito então, o melhor jogador do mundo! O único jogador formado na história do São Paulo FC, a ter esse título.

O estrelato rendeu a estratofera. Obviamente, a potência econômica do Real Madrid passaria em sua carreira. Mas Kaka sofria com o joelho e com uma pubalgia persistente e terrível. Mesmo assim, os anos na Espanha fizeram Kaka atingir outra marca incrível: a de maior artilheiro brasileiro na Champions League, com 28 gols em todas edições que disputou.

O caminho se tornou destino e Kaka iniciou seu regresso. Do São Paulo ao Milan e Real, do Real ao Milan e São Paulo, antes do futuro Orlando, nos Estados Unidos.

No Tricolor, serão 6 meses pra aumentar sua marca de 30 gols com a camisa do São Paulo. E reconquistar a torcida, que já deu mostras da sua importância, levando quase 30 mil pessoas em sua apresentação, no Morumbi, em belíssima festa.

O mundo dá voltas. O São Paulo agradece ter um filho, novamente em seu lar, no reencontro com Ceni e Fabuloso, que estiveram juntos na trajetória do craque pelo Tricolor. Isso ajudará muito!

Toda boa sorte do mundo!

Saudações Tricolores, Kaka!

Crédito-imagem: site oficial.

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